Lula articula reeleição de Motta e Alcolumbre para conter avanço bolsonarista no Congresso
Presidente costura aliança com presidentes da Câmara e do Senado para garantir governabilidade e frear oposição do PL na próxima legislatura.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Correio Braziliense, G1, ICL Notícias, Portal da Câmara dos Deputados, Senado). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou uma costura política estratégica com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O objetivo central do encontro, realizado no Palácio da Alvorada, é garantir a reeleição de ambos para o comando das Casas legislativas em fevereiro de 2027.
A manobra busca criar uma barreira de contenção contra o avanço do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. A legenda emergiu das urnas como a maior força do Legislativo, com 121 deputados federais, um crescimento de 24 cadeiras em relação a 2022. O Planalto teme que o controle do Congresso pela oposição trave pautas governistas e facilite pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O jogo de interesses pela governabilidade
A articulação envolve um bloco de 364 parlamentares, que soma os 240 deputados do Centrão sob influência de Motta e os 124 eleitos por partidos da base aliada, como PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT. Embora essa composição represente 70,9% da Câmara, o governo sabe que não se trata de uma base formal e que o Centrão pode oscilar conforme a conveniência política.
Para o Palácio do Planalto, a permanência de Motta e Alcolumbre é a via mais segura para evitar que nomes ligados ao bolsonarismo, como Rogério Marinho (PL-RN) no Senado ou Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) na Câmara, assumam o comando das Casas. A vitória de um nome do PL poderia abrir caminho para o processamento de pedidos de afastamento contra magistrados como Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Alcolumbre, busca apoio para emplacar o ex-senador Rodrigo Pacheco, atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), para uma vaga no STF. Lula tende a aceitar a indicação, já que o presidente terá o direito de nomear outros três ministros para a Corte ao longo dos próximos quatro anos.
A reorganização das forças no Legislativo
O cenário atual é de intensa disputa. O PL planeja controlar comissões estratégicas, como a de Constituição e Justiça (CCJ), para pautar temas conservadores e dificultar o trâmite de projetos do Executivo. A estratégia bolsonarista de usar o crescimento nas urnas como argumento de governabilidade foi, por ora, neutralizada pela aliança entre Lula e os atuais presidentes do Congresso.
Parlamentares do PT já se articulam para formalizar o apoio à reeleição de Motta. A decisão é vista como um mal necessário para manter a estabilidade institucional. O próprio Alcolumbre, após o encontro com Lula, divulgou nota oficial reafirmando o compromisso com o diálogo e a harmonia entre os Poderes, evitando qualquer menção direta à disputa interna.
A conta política é clara: quem lucra com essa articulação é o governo, que ganha fôlego para governar, e os atuais presidentes, que mantêm o poder de agenda. Quem paga a conta, caso a articulação falhe, é a própria base governista, que ficaria à mercê de uma pauta legislativa hostil e de um desgaste permanente com o Judiciário.
A disputa pelo comando do Legislativo é o principal termômetro da relação entre Executivo e Congresso. Historicamente, o controle das Mesas Diretoras define quais projetos avançam e quais são arquivados, funcionando como o filtro principal da governabilidade brasileira.