Kremlin diz que defenderá interesses na Ucrânia com ou sem EUA

Peskov afirma que Moscou usará meios militares ou pacíficos e chama de "absurdas" acusações de ciberataques a supermercados na Europa.

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Vladimir Putin durante cerimônia de entrega de condecorações no Kremlin (imagem de arquivo).
Foto: Пресс-служба Президента России / CC BY 4.0 via Wikimedia Commons

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta quinta-feira que a Rússia vai defender seus interesses na Ucrânia independentemente da situação política nos Estados Unidos. As declarações foram feitas em briefing, segundo a agência estatal russa TASS.

"A salvaguarda dos interesses da Rússia nos assuntos ucranianos não pode depender do estado dos assuntos nos EUA. Nossos interesses serão defendidos em qualquer caso. A Rússia é um Estado absolutamente soberano", disse Peskov.

Segundo o porta-voz, Moscou prefere garantir seus interesses por vias pacíficas, mas isso "não tem sido possível até agora". Por esse motivo, a operação militar especial está em andamento.

Peskov afirmou que os interesses russos serão assegurados "por meios militares, com a continuação da operação militar especial, ou pacificamente, se alguém em Kiev demonstrar vontade política e assumir responsabilidade política".

Sobre o acordo de diesel com os Estados Unidos, Peskov disse que todo o combustível enviado vai encontrar compradores. Reportagens da mídia afirmam que navios-tanque com diesel russo destinado aos EUA mudaram de rota, mas o Kremlin não comentou se o acordo fracassou.

Peskov alegou regras de confidencialidade comercial. "Não podemos discutir detalhes comerciais com vocês. Detalhes comerciais não podem ser tornados públicos." Ele também rejeitou a ligação entre o caso e as eleições legislativas dos EUA: "Não há motivo para vincular isso às eleições."

Agenda de Putin e contatos internacionais

O Kremlin anunciará se Vladimir Putin vai se encontrar com o patriarca Teófilo III de Jerusalém e com o patriarca Kirill de Moscou e de toda a Rússia, que estão de visita ao país. Segundo Peskov, a informação será divulgada "no tempo devido".

Não há planos específicos de contato entre Putin e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Peskov afirmou, porém, que um encontro pode ser organizado rapidamente, se necessário. O Kremlin também prepara o Direct Line, evento anual em que Putin responde a perguntas do público, previsto para ocorrer ainda neste ano. As datas serão anunciadas depois.

Yana Lantratova, ombudsman russa, e Kirill Dmitriev, enviado especial presidencial, representarão Moscou em um encontro organizado pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, marcado para o mesmo dia. "A parte russa será representada por Lantratova e Dmitriev."

Sobre as eleições legislativas americanas, Peskov disse que o presidente Donald Trump continuará a exercer seus poderes presidenciais e a conduzir a política externa após o resultado. Para o Kremlin, o restante é "um assunto interno dos Estados Unidos".

Peskov também respondeu a acusações de que hackers pró-Rússia dos grupos Z-Pentset e NoName estariam por trás de ataques recentes a sistemas de refrigeração de supermercados em vários países europeus. Ele classificou as declarações como "absurdas" e disse que elas "não são sustentadas por nenhum argumento ou evidência".

Para o porta-voz, a acusação de que a Rússia é culpada por tudo tem sido uma tendência constante em países europeus. "Insisto que essas acusações são totalmente absurdas", afirmou. O material divulgado pela TASS não traz respostas dos governos europeus citados nem informações sobre investigações em curso.

Fontes: TASS — “Kremlin briefing addresses Russia’s interests in Ukraine, diesel deal with US”.