Kassio Nunes Marques rebate acusações de Flávio Bolsonaro e atesta segurança da eleição

Presidente do TSE desmonta tese de fraude após senador derrotado contestar vitória de Lula nas urnas e viajar para os Estados Unidos.

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Kassio Nunes Marques rebate acusações de Flávio Bolsonaro e atesta segurança da eleição
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, G1, Poder360, R7, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou nesta quarta-feira (28) que o pleito presidencial ocorreu dentro da mais absoluta normalidade. A manifestação pública do magistrado foi divulgada em nota oficial após o candidato derrotado no segundo turno, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), publicar um manifesto no qual questiona o resultado das urnas e ataca o sistema eletrônico de votação sem apresentar provas.

Nunes Marques defendeu a integridade do trabalho técnico do tribunal. O ministro destacou que a soberania do voto popular prevaleceu no país. "Ressalto o compromisso de toda a Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado, que foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes", escreveu o presidente da Corte. Ele assegurou que eventuais questionamentos formais apresentados dentro do rito jurídico receberão análise detalhada.

A reação do tribunal ocorreu minutos depois de Flávio divulgar uma carta pública em suas redes sociais. No texto, o parlamentar tentava deslegitimar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador anunciou ainda que deixou o território nacional acompanhado da família com destino aos Estados Unidos. Ele declarou que pretende articular a oposição política a partir do exterior.

Recuo retórico e isolamento partidário

A publicação inicial do senador provocou desgaste imediato nos bastidores políticos de Brasília. Na primeira versão do documento, divulgada em formato de imagem na internet, Flávio se autoproclamava o "verdadeiro presidente eleito" do país. Uma hora após a postagem, o parlamentar apagou o arquivo e inseriu uma versão modificada. Ele substituiu a expressão original pelo termo "líder do Brasil".

O discurso do senador destoa do posicionamento adotado pela própria cúpula do Partido Liberal. A direção da legenda reconheceu o desfecho das urnas no início da semana. Dirigentes partidários solicitaram apenas esclarecimentos protocolares à Justiça Eleitoral sobre a rotina da apuração. Lideranças do Congresso Nacional manifestaram repúdio à tentativa de criar tumulto institucional.

Nunes Marques chegou ao Supremo Tribunal Federal em 2020 indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. A nota oficial emitida pelo tribunal reforçou que as instituições republicanas não cederão a narrativas golpistas. Servidores públicos, mesários voluntários e forças policiais garantiram a ordem democrática em todos os estados da federação durante o domingo de votação.

Ministro Kassio Nunes Marques garantiu integridade e normalidade das eleições presidenciais de 2026.
Ministro Kassio Nunes Marques garantiu integridade e normalidade das eleições presidenciais de 2026. (Foto: TSE/Divulgação)

A farsa matemática dos números da apuração

Em sua carta, Flávio Bolsonaro alegou a existência de uma "impossibilidade matemática" durante a contagem dos votos. O senador mirou seus ataques contra o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Zanin autorizou a extensão da votação por duas horas em colégios eleitorais específicos que registraram longas filas no domingo (25).

Os registros oficiais do TSE desmontam a narrativa de interferência no resultado. Ao todo, 34.393 votos foram registrados após as 17h em decorrência da prorrogação do horário. O contingente representa parcela insignificante da votação total apurada no país. Mesmo na hipótese de todos esses sufrágios terem sido direcionados ao candidato petista, o impacto equivaleria a menos de 1% da vantagem final.

O resultado oficial proclamado pela Justiça Eleitoral confirmou a vitória de Lula com 64.256.232 votos válidos, o que representa 51,79% da preferência do eleitorado. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, alcançando 48,21% dos sufrágios. A diferença consolidada entre os dois concorrentes foi de 4.430.191 votos, inviabilizando qualquer tese de alteração no placar decorrente de horário adicional.

Segurança técnica e compromisso legal

O presidente do TSE reconheceu que a prorrogação pontual gerou desafios logísticos aos operadores do sistema na reta final do domingo. O ministro elogiou a capacidade de resposta dos analistas e técnicos do tribunal da cidadania. "Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança", ressaltou o chefe do Judiciário eleitoral.

Tribunais Regionais Eleitorais de todo o Brasil divulgaram comunicados de apoio à condução dos trabalhos por Kassio Nunes Marques. As representações estaduais confirmaram que as auditorias das urnas e a impressão dos boletins de urna ocorreram com fiscalização de partidos, entidades civis e observadores internacionais. O sistema operou com blindagem digital e transparência nos 5.570 municípios brasileiros.

O Palácio do Planalto e a coordenação da campanha de Lula classificaram a atitude de Flávio como desespero político de quem não aceita o veredito popular. Para a base do governo, a classe trabalhadora foi às urnas em defesa do poder de compra dos salários, dos programas sociais e da soberania nacional. A tentativa de desestabilização fracassou antes mesmo de encontrar respaldo nas Forças Armadas ou no Congresso.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A contestação eleitoral protagonizada por Flávio Bolsonaro repete o roteiro da extrema-direita em pleitos anteriores no Brasil e no exterior. Em 2022, Jair Bolsonaro também tentou minar a credibilidade das urnas eletrônicas após sua derrota eleitoral, resultando na sua inelegibilidade declarada pelo TSE. A ida de Flávio aos Estados Unidos consolida a perda de sustentação política do clã bolsonarista dentro das próprias bancadas conservadoras no Parlamento.