Israel vai às urnas em referendo sobre governo Netanyahu com país polarizado

Com 51,8% das urnas apuradas, Likud soma 55 cadeiras contra 49 da oposição. Votação recorde marca o futuro da guerra em Gaza e o destino de Benjamin Netanyahu.

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Israel vai às urnas em referendo sobre governo Netanyahu com país polarizado
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Esquerda Diário, Estadão, Folha de S.Paulo, O GLOBO). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Israel vive hoje um momento decisivo em sua história política recente. Após a apuração de 51,8% das urnas, o partido Likud, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, soma 55 das 120 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense. A oposição aparece com 49 cadeiras, enquanto partidos árabes detêm 16 assentos. A participação popular atingiu 77,7%, o maior índice desde 1999, refletindo a tensão social extrema.

O pleito funciona como um referendo direto sobre a gestão de Netanyahu, o premiê mais longevo do país. O governo enfrenta pressões internas severas após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em 1.200 mortes e 251 reféns. A resposta militar em Gaza, que já contabiliza 74 mil mortos e deslocou 90% da população local, segundo dados da ONU, divide a opinião pública e isola o país internacionalmente.

O peso das alianças e a crise militar

A coalizão atual de Netanyahu é a mais à direita da história de Israel. Ela conta com o apoio de figuras como os ministros Itamar Ben-Gvir, da Segurança Interna, e Bezalel Smotrich, das Finanças. Ambos defendem a expansão da ocupação na Cisjordânia e uma postura militar agressiva. Essa política é apontada por críticos como um dos fatores que desgastaram a imagem de Israel no exterior.

Outro ponto central da disputa é o serviço militar para judeus ortodoxos. O tema polariza a sociedade há anos, mas ganhou urgência com a necessidade de mobilização militar contínua. O professor Yuval Benziman, da Universidade Hebraica de Jerusalém, destaca que a responsabilidade pelas falhas na prevenção do 7 de outubro e o alistamento militar são os eixos que definem o voto do eleitorado hoje.

A oposição aposta na figura do ex-general Gadi Eisenkot para atrair votos. Ele comandou o Exército entre 2015 e 2019 e é visto como uma alternativa ao establishment tradicional. Enquanto isso, Netanyahu tenta se manter no poder sustentado por vitórias militares contra o Hamas, o Hezbollah e, em menor escala, o Irã, apesar da queda de sua popularidade.

Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante votação em Jerusalém.
Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante votação em Jerusalém. (Foto: Agência Internacional)

O funcionamento do sistema eleitoral

O sistema israelense é proporcional, o que significa que as cadeiras são distribuídas conforme a votação de cada lista partidária. A cláusula de barreira de 3,25% é um obstáculo real. Partidos que não atingem esse percentual perdem seus votos, o que pode beneficiar blocos maiores. Em 2022, esse mecanismo ajudou o grupo de Netanyahu a conquistar 64 cadeiras com apenas 48% dos votos totais.

A formação do novo governo pode levar meses. Após a posse dos 120 deputados em 10 de novembro, o presidente Isaac Herzog iniciará consultas com os líderes partidários. Ele indicará um nome para formar a coalizão, que não precisa ser obrigatoriamente o líder do partido mais votado. O escolhido precisará de apoio para governar, em um cenário onde partidos árabes, embora não integrem o governo, podem ser decisivos na aprovação de leis.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A política israelense atravessa um período de instabilidade crônica, marcada por seguidas eleições em curto intervalo de tempo. O governo de Netanyahu, que acumula 19 anos no poder, enfrenta denúncias de fracasso na segurança nacional e críticas globais por violações de direitos humanos em Gaza. O resultado das urnas determinará se o país manterá a guinada à direita ou buscará uma nova direção política.