Indígenas denunciam ameaças de morte e racismo após segundo turno no Mato Grosso do Sul

Lideranças relatam impedimento ao voto e ameaças de envenenamento de água. Servidor público é afastado após áudio viralizar em Tacuru.

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Indígenas denunciam ameaças de morte e racismo após segundo turno no Mato Grosso do Sul
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CNN Brasil, Campo Grande News, G1, O POVO). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Povos indígenas do Mato Grosso do Sul enfrentam uma onda de ataques e ameaças após o segundo turno das eleições. Lideranças da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) denunciam que membros de comunidades foram impedidos de votar em escolas dentro das aldeias. Relatos apontam o uso de termos racistas, como “bugres”, para desumanizar os eleitores originários.

Um áudio que circula em aplicativos de mensagens revela a gravidade da intimidação. Um homem afirma que os indígenas não deveriam votar e sugere medidas violentas contra as comunidades. O autor do áudio ameaça cortar o fornecimento de luz e água, além de sugerir o isolamento total das aldeias. “Índio é só no mato”, diz o interlocutor em um trecho da gravação.

O afastamento do servidor em Tacuru

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que o áudio com ameaças de envenenar a água da Aldeia Sassoró é de um servidor público municipal. O funcionário, que atuava no setor de infraestrutura, foi afastado de suas funções. A prefeitura instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que é o procedimento interno para apurar a conduta do servidor e decidir sobre sua demissão ou punição.

O áudio traz a frase alarmante: “Tem que matar essas pragas na água”. A denúncia é grave, pois a população Guarani Kaiowá na região já sofre com a escassez de água potável. Muitas comunidades dependem exclusivamente de caminhões-pipa para o consumo diário. A contaminação desses recursos colocaria em risco a vida de centenas de famílias.

O prefeito Torquetti negou que o servidor trabalhasse diretamente na distribuição de água, mas admitiu a gravidade da fala. A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso como crime eleitoral e ameaça. Até o momento, o governo estadual e o Tribunal Regional Eleitoral do Mato Grosso do Sul não se manifestaram sobre as denúncias de impedimento ao voto.

Comunidades indígenas no MS denunciam aumento de ataques após o segundo turno.
Comunidades indígenas no MS denunciam aumento de ataques após o segundo turno. (Foto: Arquivo Gazeta)

Ação coordenada dos ministérios

O Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) emitiram nota conjunta. Os órgãos afirmam que atuam em conjunto para investigar a violência contra indígenas, quilombolas e povos de terreiro. O governo federal classifica as ameaças como inaceitáveis em um país democrático.

A APIB reforça que o direito ao voto é universal e inegociável. A entidade exige a responsabilização de todos os envolvidos nas ameaças. O Ministério Público Federal (MPF) também recebeu as denúncias para apurar possíveis violações de direitos humanos. O cenário reflete a tensão política que ainda domina regiões com histórico de conflitos agrários.

O povo Terena, um dos mais populosos do país, também relata episódios de hostilidade. A situação no Mato Grosso do Sul exige atenção imediata das autoridades de segurança pública. O medo de represálias após o resultado das urnas trava o cotidiano das aldeias. A Gazeta Estrela Vermelha segue acompanhando o desdobramento das investigações em todas as esferas.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O Mato Grosso do Sul é palco histórico de conflitos agrários entre indígenas e produtores rurais. A disputa por terras tradicionais, muitas vezes paralisada na Justiça, gera um clima de tensão permanente. Após as eleições de 2026, a polarização política intensificou ataques racistas e tentativas de intimidação contra populações originárias.