Inadimplência e endividamento das famílias batem recorde histórico em setembro, aponta Banco Central

Indicador atinge 6% para pessoas físicas e endividamento chega a 50,1% da renda anual em meio a programas federais de renegociação.

Compartilhar
Inadimplência e endividamento das famílias batem recorde histórico em setembro, aponta Banco Central
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Bloomberg Línea Brasil, CNN Brasil, G1, UOL Economia, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (29) que a inadimplência e o endividamento das famílias brasileiras alcançaram novos recordes históricos em setembro de 2026. O indicador que mede atrasos superiores a 90 dias nas operações de crédito das pessoas físicas permaneceu em 6%. Trata-se do maior patamar registrado em toda a série histórica da autoridade monetária.

Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda dos trabalhadores com dívidas atingiu 50,1% da renda anual em agosto de 2026. Na prática, metade do dinheiro recebido pelas famílias ao longo de doze meses já está comprometido com o pagamento de empréstimos, financiamentos e faturas em aberto. Os números revelam o peso dos juros elevados sobre o orçamento doméstico da classe trabalhadora.

O peso dos recursos livres e a pressão sobre o orçamento popular

Dentro do universo do crédito, a situação mais grave ocorre no segmento de recursos livres. Nesse grupo, que não conta com subsídios do governo e traz as taxas de juros mais altas do mercado, a inadimplência das pessoas físicas subiu para 8,1%. É o maior patamar registrado desde o início da série em 2011. Para as empresas, o cenário registrou leve melhora. A inadimplência corporativa recuou de 3,4% para 3,3% em setembro.

A inadimplência média geral das operações de crédito, que junta recursos livres e direcionados, ficou estável em 5% no mês passado. O chefe do departamento de estatística do Banco Central, Fernando Rocha, apontou que a trajetória recente tem mostrado volatilidade atípica. Segundo ele, programas governamentais de renegociação ajudaram a explicar oscilações específicas, como a queda na inadimplência do crédito rural de pessoas físicas, que despencou de 9,7% para 8,7% em setembro.

Famílias brasileiras enfrentam comprometimento recorde da renda com juros e dívidas.
Famílias brasileiras enfrentam comprometimento recorde da renda com juros e dívidas. (Foto: Reprodução)

Governo aposta em novos programas enquanto dívidas acumulam bilhões

O agravamento do quadro de endividamento ocorre no momento em que a corrida eleitoral ganha força e o governo tenta conter a crise de crédito. Em maio, a gestão federal lançou o "Novo Desenrola Brasil", também chamado de Desenrola 2.0. Na última semana, o Palácio do Planalto anunciou uma nova rodada do programa com previsão de renegociar R$ 150 bilhões em dívidas acumuladas.

A proposta desenhada pela equipe econômica prevê que a União compre as carteiras de crédito das instituições financeiras com um deságio de 90%. Para isso, a estimativa oficial aponta um desembolso de R$ 15 bilhões dos cofres públicos para limpar o nome de devedores com atrasos entre dois e quatro anos e meio. Na ponta final, quem paga a conta da cirurgia financeira dos bancos continua sendo o conjunto da sociedade por meio da arrecadação de tributos.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A escalada histórica da inadimplência e do endividamento das famílias brasileiras reflete anos de política monetária restritiva com taxas básicas de juros em patamares elevados. Diante da pressão inflacionária e da perda de poder de compra dos salários, o endividamento popular tornou-se crônico, exigindo intervenções estatais sucessivas por meio de programas de refinanciamento de dívidas bancárias.