Oposição protocola pedido de impeachment contra Bruno Reis por ônibus retidos nas garagens em Salvador
Câmara Municipal recebe requerimento de CEI para investigar corte de ônibus e responsabilidade do prefeito no segundo turno.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Bnews, Consultor Jurídico, G1, O POVO+). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A oposição na Câmara Municipal de Salvador protocolou nesta segunda-feira (27) um requerimento para criar uma Comissão Especial de Inquérito. O objetivo é investigar a retenção de ônibus nas garagens e a redução da frota do transporte coletivo durante o segundo turno das eleições, em 25 de outubro de 2026. O texto aponta responsabilidades diretas do prefeito Bruno Reis e do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza.
Caso as irregularidades fiquem comprovadas no processo político, o prefeito poderá sofrer um processo de impeachment e ser destituído do cargo. A denúncia central argumenta que a manobra logística prejudicou o direito de voto da população trabalhadora nas urnas.
Articulação política e contagem de assinaturas na Câmara
A proposta foi entregue durante a tarde ao presidente da Casa, vereador Carlos Muniz, do PSDB, em uma reunião fechada. A oposição, que representa a minoria dos parlamentares, conseguiu reunir inicialmente dez assinaturas. Contudo, o regimento interno exige ao menos 14 assinaturas dos 43 vereadores para que a investigação seja instalada de fato.
Muniz recebeu o documento e garantiu que cumprirá o regimento assim que a meta de assinaturas for atingida. Ele destacou que a abertura da comissão depende exclusivamente da formalização do apoio necessário entre os parlamentares da Casa. O presidente também ponderou que o Legislativo acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o caso.
O requerimento pede a criação da CEI com prazo inicial de 12 meses, prorrogable por igual período. O fato determinado no documento envolve a retenção de veículos do sistema convencional e do BRT nas garagens das empresas concessionárias. A frota operou muito abaixo da média praticada em dias úteis comuns na capital baiana.
Provas materiais e fiscalização durante a votação
Órgãos de fiscalização e autoridades registraram provas materiais robustas da retenção de veículos no dia do pleito. O Procon-BA localizou 944 ônibus estacionados em cinco garagens diferentes, sem prestar nenhum serviço à população. Denúncias apontaram corte superior a 50% na frota ativa em comparação com dias normais de circulação.
Juízes auxiliares e equipes de fiscalização realizaram inspeções presenciais em garagens e terminais durante a votação. Na sede do BRT, na Avenida Barros Reis, um supervisor confirmou que a frota circulante era inferior à habitual e seguia orientações da Secretaria Municipal de Mobilidade, a Semob.
Situação idêntica foi constatada nas sedes da Integra Verde G2, no bairro de Santa Mônica, e da Ottrans G1, na Estrada Velha de Campinas de Pirajá. Em ambos os locais, operadores de tráfego confirmaram o recolhimento forçado dos veículos a pedido da pasta municipal.
Desdobramentos judiciais e ameaça de prisão
O caso também mobilizou a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal. O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, desembargador Abelardo da Matta, chegou a ordenar a prisão do secretário Pablo Souza no domingo das eleições para obrigar a liberação da frota.
A ordem de prisão cumpriu função instrumental para forçar o cumprimento imediato da ordem judicial de circulação total dos ônibus. Com o fim da votação, a prisão foi revogada pelo tribunal, mas a investigação sobre crime eleitoral continuou aberta. A conduta pode configurar crime com pena de reclusão de quatro a seis anos e pagamento de multa.
O transporte público em Salvador enfrenta histórico de embates entre prefeitura, concessionárias e usuários devido a tarifas elevadas e cortes na frota. A restrição de ônibus em dias de eleição gera graves prejuízos ao direito constitucional do voto, dificultando o deslocamento de trabalhadores periféricos que dependem exclusivamente do sistema municipal.