Ibovespa acumula queda de 16,6% sob Lula e investidores temem descontrole inflacionário
Bolsa brasileira sofre forte desvalorização em três pregões. Mercado reage a promessas de campanha e revisão de projeções para o IPCA.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brazil Journal, InfoMoney, NeoFeed, UOL Economia, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O mercado financeiro brasileiro enfrenta uma onda de pessimismo acentuado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acumulou uma perda de 16,6% em apenas três pregões nesta semana. A queda de 2,68% registrada hoje reflete o nervosismo dos investidores com a política econômica do novo mandato.
A desvalorização atinge em cheio empresas ligadas ao consumo interno e ao setor imobiliário. A rede Casas Bahia despencou 20% hoje, enquanto a Cosan recuou 12%. O setor de construção também sofreu, com a Cyrela registrando queda de 11% e a MRV&Co acumulando perdas de 48% desde o pleito. O índice financeiro, que reúne os grandes bancos, tombou 4,76%.
Pressão inflacionária e juros altos
O temor central dos analistas é a trajetória da inflação e o impacto nas taxas de juros. O BTG Pactual elevou a projeção para o IPCA, o índice oficial de inflação, de 4,8% para 5,9% em 2027. Para 2026, a estimativa subiu de 5,3% para 5,4%. Essa revisão sinaliza que o Banco Central pode interromper o ciclo de queda da Selic, a taxa básica de juros que define o custo do crédito no país.
A manutenção de juros elevados encarece o financiamento para as empresas e reduz o consumo das famílias. Analistas do mercado financeiro apontam que a falta de sinais claros sobre o ajuste fiscal, ou seja, o controle dos gastos públicos para equilibrar as contas, mantém o pessimismo. O governo enfrenta críticas sobre a sustentabilidade das promessas de campanha, incluindo o represamento de preços de combustíveis e as mudanças na escala de trabalho 6x1.
Desempenho setorial e cenário externo
Enquanto o mercado doméstico sangra, papéis de empresas exportadoras como Vale e Petrobras tentam segurar o índice. A Petrobras subiu cerca de 1,5% hoje, impulsionada pela alta do petróleo no mercado internacional. O cenário externo também contribui para a instabilidade, com bolsas em Nova York pressionadas por balanços decepcionantes de empresas de tecnologia e preocupações com o retorno de investimentos em inteligência artificial.
O volume de saída de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira atingiu R$ 11,4 bilhões em apenas cinco pregões. Esse movimento reforça a fuga de capital em direção a ativos considerados mais seguros. A indústria de fundos de investimento já contabiliza uma perda superior a R$ 100 bilhões desde o dia seguinte à reeleição. A conta dessa instabilidade recai sobre o trabalhador, que observa a desvalorização de seus investimentos e o aumento do custo de vida.
A volatilidade atual é reflexo direto da transição para o quarto mandato de Lula, marcado por incertezas sobre a equipe econômica e a política fiscal. O mercado reage negativamente à percepção de que o governo priorizará gastos sociais sem uma contrapartida de receitas, elevando o risco país.