Ex-presidente do BRB diz à PF que venda ao Banco Master foi ordenada por Ibaneis Rocha

Depoimento enviado ao STF detalha reunião secreta em 2024 para estruturar a transferência do banco público do Distrito Federal.

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Ex-presidente do BRB diz à PF que venda ao Banco Master foi ordenada por Ibaneis Rocha
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, G1, Metrópoles, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa revelou à Polícia Federal que a venda da instituição financeira pública foi ordenada diretamente pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O depoimento ocorreu no dia 15 do mês passado e faz parte do relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro e do próprio ex-dirigente por crimes financeiros.

A investigação aponta fraudes em aumentos de capital do BRB para beneficiar Vorcaro. Segundo a apuração policial, fundos e pessoas ligadas ao Banco Master adquiriram participação acionária no banco público distrital, alcançando 23,5% das ações. A manobra serviu para dar lastro financeiro ao BRB na tentativa de compra do Banco Master, operação que acabou barrada pelo Banco Central em setembro do ano passado.

O jantar secreto e a ordem de transferência

Paulo Henrique Costa relatou aos investigadores que recebeu uma convocação de última hora, enviada pelo gabinete do governador Ibaneis Rocha. A mensagem determinava a presença dele em um jantar na casa de Daniel Vorcaro no dia 24 de setembro de 2024. Na época, o executivo estava em viagem na Bahia, mas retornou a Brasília para cumprir a ordem política.

“O governador fala: ‘olha Paulo, eu queria te apresentar o Daniel’. Eu falei: ‘Eu já conheço, a gente faz algumas cessões de crédito e tal’. Mas ele diz: ‘Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master’”, declarou o ex-presidente do BRB no depoimento oficial à Polícia Federal.

Havia sete pessoas presentes na reunião na residência do banqueiro. Durante o encontro, o próprio Daniel Vorcaro ponderou sobre a necessidade de blindar o negócio por tratar-se de uma instituição pública. O empresário exigiu um acordo de acionistas que garantisse o controle acionário do banco mesmo após eventuais trocas de gestão no governo do Distrito Federal.

Sede do Banco de Brasília, pivô das investigações da Polícia Federal sobre fraudes financeiras.
Sede do Banco de Brasília, pivô das investigações da Polícia Federal sobre fraudes financeiras. (Foto: Agência Brasília)

Resistência tardia e defesa dos envolvidos

Em sua oitiva à polícia, o ex-presidente do BRB afirmou ter tentado reverter a decisão na manhã seguinte ao jantar. Ele buscou o gabinete de Ibaneis Rocha para alertar sobre os riscos políticos e econômicos da manobra, argumentando que a venda resultaria na privatização de um patrimônio estratégico para a população brasiliense.

“Eu vou ao governador e digo: ‘chefe, não concordo com essa operação. A gente prometeu que não ia privatizar o banco, o banco tá dando um resultado extraordinário, o banco é chave pra Brasília’”, justificou Paulo Henrique aos agentes federais, citando a importância da instituição na gestão de programas sociais e obras locais.

Procurada pelas redações, a defesa de Ibaneis Rocha informou que o ex-governador não pressionou e nem interferiu nas decisões do BRB. Segundo a nota oficial dos advogados, o contato entre os agentes públicos e privados ocorreu em um contexto puramente institucional e natural, negando qualquer irregularidade na condução da pauta financeira.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O Banco de Brasília tem papel central na economia do Distrito Federal, financiando obras públicas e políticas sociais essenciais. A tentativa de integração com o Banco Master gerou forte resistência nos bastidores políticos e econômicos, culminando em investigações da Polícia Federal sobre o uso de bancos públicos para socar instituições privadas em situação delicada.