Ex-presidente do BRB diz à PF que Ibaneis autorizou negociação com Banco Master
Paulo Henrique Costa afirmou em depoimento que o governador do DF deu aval para sua ida a holding do Master enquanto ainda comandava o banco público.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Estadão, G1, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, revelou à Polícia Federal que o governador Ibaneis Rocha autorizou sua transição para uma holding ligada ao Banco Master. O depoimento detalha que o convite partiu de Daniel Vorcaro, dono do Master, no final de outubro de 2024. Costa afirmou que precisaria se desvincular de cargos públicos para assumir a nova função. Segundo o relato, Ibaneis foi consultado sobre a saída e respondeu apenas: "Tá tudo bem".
O suposto esquema de fraudes bilionárias
A Polícia Federal aponta indícios graves de irregularidades em operações entre as duas instituições. O inquérito indica fraude em pelo menos R$ 12 bilhões dos R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB. Documentos obtidos pelos investigadores mostram diálogos entre ex-diretores do banco público demonstrando ciência sobre a fragilidade dos ativos. Um dos executivos chegou a afirmar internamente que não havia condições de realizar a compra.
A gestão do BRB flexibilizou critérios de risco para viabilizar o negócio. Historicamente, o banco limitava a inadimplência — ou seja, o atraso no pagamento de empréstimos — em 4%. No caso das carteiras do Master, esse limite saltou para 12%. A medida permitiu a entrada de ativos de baixa qualidade no balanço do banco público. O Banco Central barrou a tentativa de compra do Master pelo BRB após pressão técnica e política, evitando um prejuízo ainda maior aos cofres públicos.
Sangria financeira e o futuro do banco
O BRB enfrenta uma crise de confiança que se reflete na perda de quase 1 milhão de clientes em apenas um ano. A instituição parou de divulgar suas demonstrações financeiras há mais de doze meses. Durante a campanha eleitoral, a governadora eleita Celina Leão admitiu, de forma inadvertida, que a publicação do balanço poderia levar à liquidação do banco. A liquidação é o processo de fechamento definitivo da instituição por falta de recursos para honrar compromissos.
O contribuinte do Distrito Federal paga a conta dessa gestão. Existem suspeitas de que o governo local injeta recursos no banco para manter a liquidez diária. A governadora Celina Leão defende que a solução para o rombo passe pela União. O governo federal, até o momento, recusa o uso de dinheiro público para salvar a instituição. Especialistas cobram a nomeação de um interventor pelo Banco Central para evitar a desvalorização total dos ativos restantes.
A relação entre o BRB e o Banco Master de Daniel Vorcaro tornou-se o epicentro de uma investigação sobre crimes financeiros no DF. O Banco Central barrou a fusão das instituições, mas o inquérito da PF segue revelando a fragilidade das carteiras de crédito adquiridas pelo banco público. A crise institucional coloca em xeque a gestão de Ibaneis Rocha e o futuro da solvência do BRB.