Governo Lula traça cenários com Flávio nos EUA: tarifas e sanções no radar
Planalto avalia riscos de retaliação comercial e impasse diplomático com Washington após reeleição de Lula e tensões com a gestão Trump.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Correio Braziliense, InfoMoney, UOL Notícias, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O governo brasileiro iniciou uma rodada de análises estratégicas para lidar com o governo dos Estados Unidos. O foco central é a gestão de possíveis sanções econômicas e tarifas sobre produtos nacionais. A movimentação ocorre após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que gerou desconforto na Casa Branca. O senador Flávio Bolsonaro atua como interlocutor em Washington para tentar suavizar o clima de hostilidade.
Analistas apontam que a reeleição de Lula frustrou os planos de Donald Trump para a América Latina. O Brasil, ao lado do México, permanece fora da aliança regional pretendida pelos americanos. Benjamin Gedan, diretor do programa para América Latina do Stimson Center, afirma que Trump não demonstra capacidade ou interesse em construir laços com líderes progressistas. A relação bilateral vive agora um momento de incerteza diplomática.
O impasse da embaixada e a revogação de vistos
Um dos pontos críticos é a vacância na embaixada dos EUA em Brasília. O cargo é ocupado por um encarregado de negócios desde janeiro de 2025. Daniel Perez, indicado por Trump, aguarda a aprovação do governo brasileiro. Bjorn Beam, especialista da Arcano Research, alerta que a demora na confirmação pode ser interpretada por Washington como uma tentativa de elevar o preço político da negociação.
A tensão escalou em agosto. Trump ordenou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O gesto foi visto como uma retaliação direta pela indefinição sobre Perez. A medida, considerada sem precedentes, sinaliza que a diplomacia tradicional deu lugar a uma política de pressão constante. O Planalto agora busca caminhos para evitar que o conflito afete o fluxo comercial entre as nações.
Disputa por minerais críticos e o fator China
A agenda mineral domina as preocupações econômicas. Washington busca acesso a depósitos de minerais críticos para reduzir sua dependência da China. O Brasil possui reservas estratégicas que interessam aos EUA. Contudo, Lula condiciona qualquer parceria à agregação de valor dentro do território brasileiro. O governo americano já apoia uma empresa que opera a única mina de terras raras em escala comercial no país.
O calendário eleitoral americano adiciona pressão ao cenário. Em 3 de novembro, os EUA realizam eleições legislativas. Aliados de Trump enfrentam dificuldades nas pesquisas. Logo após a posse de Lula, em 5 de janeiro, encerra-se uma trégua comercial entre EUA e China. O fim desse acordo, em 10 de janeiro, deve acelerar a busca americana por novos fornecedores de minerais. O governo Trump pode usar a redução de tarifas sobre produtos brasileiros como moeda de troca para garantir acesso a essas reservas.
O Planalto aposta no pragmatismo para navegar na crise. O Ministério das Relações Exteriores reconhece as divergências sobre o multilateralismo, mas mantém o foco em pautas de comércio e defesa. O Brasil, contudo, já sinalizou que não aderirá ao Escudo das Américas, aliança de segurança liderada por Trump. A estratégia brasileira envolve ampliar a cooperação com outros países da região, como o Chile, para fortalecer a segurança pública sem se submeter às diretrizes de Washington.
A relação entre Brasil e EUA deteriorou-se após a vitória de Lula, com Washington adotando uma postura de confronto diplomático sob a gestão de Marco Rubio no Departamento de Estado. A revogação do visto da embaixadora brasileira marcou o ponto mais baixo da diplomacia recente, forçando o governo brasileiro a buscar alternativas de alianças regionais para equilibrar a pressão exercida pela Casa Branca.