Flávio Bolsonaro viaja para os Estados Unidos após derrota e gera crise na cúpula do PL

Senador deixa o Brasil para viver nos EUA e se autoproclama 'líder', provocando forte rejeição de Valdemar Costa Neto e aliados.

Compartilhar
Flávio Bolsonaro viaja para os Estados Unidos após derrota e gera crise na cúpula do PL
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (BBC, Consultor Jurídico, ICL Notícias, O GLOBO, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil e seguiu rumo aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem escancara uma grave crise interna no Partido Liberal e deixa o futuro do bolsonarismo mergulhado em incertezas políticas.

Logo após a confirmação do resultado das urnas, chancelado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio publicou uma carta em redes sociais na qual contestava a lisura do pleito. Na primeira versão do texto, o parlamentar exigiu a anulação do resultado e se declarou "o verdadeiro presidente". Posteriormente, o senador apagou a postagem e publicou uma nova versão quase idêntica, substituindo o termo presidencial pela palavra "líder" do Brasil.

A mudança na narrativa foi tratada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, como um mero "erro de confecção". Marinho também admitiu publicamente que não existem provas de fraude eleitoral que justifiquem questionar a vitória legítima do atual governo federal.

Reação dura da cúpula partidária e aliados

A aventura golpista do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro causou repulsa imediata entre os dirigentes da própria legenda. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou categoricamente que reprova a atitude do senador e que ninguém concorda com a manifestação antidemocrática.

"Lógico que ninguém concorda com isso. Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema", declarou Valdemar após reunião de duas horas com Jair Bolsonaro em Brasília. O dirigente partidário tentou contornar a situação ao dizer que compreende o momento difícil, mas reforçou que a sigla não apoia rupturas institucionais.

Outros aliados históricos também dispararam contra a postura intempestiva de Flávio Bolsonaro. O pastor Silas Malafaia chamou os filhos do ex-presidente de "jumentos" devido à publicação da carta golpista. Juristas renomados também rechaçaram a tentativa de subversão institucional, lembrando que o ordenamento jurídico brasileiro não prevê investidura no cargo por vontade própria. "Ninguém adquire mandato presidencial por autoproclamação", resumiu o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello.

Valdemar Costa Neto criticou publicamente a carta publicada por Flávio Bolsonaro.
Valdemar Costa Neto criticou publicamente a carta publicada por Flávio Bolsonaro. (Foto: Agência Brasil)

Isolamento internacional e ceticismo político

Da cidade norte-americana onde já reside seu irmão Eduardo Bolsonaro desde fevereiro de 2025, Flávio Bolsonaro anunciou que pretende liderar a oposição a Lula do exterior. O plano consiste em disparar mensagens regulares para tentar mobilizar apoiadores e impedir o que chama de regime ditatorial no Brasil.

Analistas políticos, contudo, apontam que a estratégia está fadada ao fracasso. O cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas, avalia que a atuação remota não terá eco na sociedade nem na classe política. Ele recorda o desgaste acumulado pelo chamado tarifaço imposto pela Casa Branca contra o Brasil após articulações anteriores de Eduardo Bolsonaro, medida amplamente repudiada pela população.

Até mesmo o governo dos Estados Unidos freou as pretensões do clã bolsonarista. Questionado por jornalistas, o presidente norte-americano Donald Trump recusou-se a comentar a fracassada autodeclaração de Flávio e mandou o senador ficar abaixo do radar político. Diante disso, a oposição institucional no Congresso busca se distanciar dos arroubos radicais para tentar preservar espaço político nas próximas disputas eleitorais.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O bolsonarismo enfrenta sua maior crise estrutural desde a redemocratização após seguidas derrotas eleitorais e investigações judiciais sobre tentativas de golpe de Estado. A fuga de parlamentares da família Bolsonaro para o exterior repete o roteiro de isolamento político e tentativa de tutela externa por governos estrangeiros de extrema direita.