Funai aciona Polícia Federal para investigar ataques e ameaças contra indígenas no Mato Grosso do Sul
Pedido atende a relatos da Apib que apontam mais de 30 episódios de violência eleitoral, incluindo incêndio criminoso e ameaça de envenenamento de água.
A Funai e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a Polícia Federal para apurar ataques contra os Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul. A medida atende a denúncias de atos de violência cometidos após o processo eleitoral, segundo apuração da Agência Brasil.
Em Tacuru, no interior do estado, um servidor público municipal sugeriu colocar veneno na água de uma aldeia. O áudio circulou nas redes sociais após o segundo turno das eleições. A gravação atribuía a vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva ao voto dos povos originários.
O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou a autoria da gravação e afastou temporariamente o funcionário. A prefeitura abriu um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do servidor. Em vídeo, o prefeito declarou que o funcionário não citou explicitamente os indígenas na mensagem.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) contabilizou mais de 30 casos de violência política no estado. Os relatos incluem atropelamentos, ameaças e mortes decorrentes do período eleitoral. Um incêndio criminoso destruiu a casa de uma idosa Kaiowá e Guarani, além de instrumentos sagrados de rituais tradicionais.
Apuração centralizada no governo federal
O Ministério da Justiça pediu informações a todas as corregedorias de polícia estaduais e do Distrito Federal. O governo federal quer centralizar os dados para acompanhar as investigações sobre a violência na região.
Na fase atual, a Polícia Federal analisa as denúncias para identificar os autores dos ataques. A investigação policial precede qualquer acusação formal perante o Poder Judiciário.
Os suspeitos permanecem na condição de investigados durante a apuração dos fatos. A instauração de ação penal depende da avaliação do Ministério Público Federal sobre o conjunto de provas.