Assessor de Trump articulou fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA com autorização de asilo temporário
Senador deixou o Brasil após derrota eleitoral e ordem de apreensão de passaporte; Casa Branca facilitou entrada com visto humanitário especial.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, CartaCapital, Folha de S.Paulo, O GLOBO, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em uma operação articulada por Jason Miller, assessor direto de Donald Trump. O parlamentar, sua esposa e suas duas filhas adolescentes entraram nos Estados Unidos sob um regime de admissão temporária. O governo norte-americano concedeu o chamado parole, uma autorização excepcional para estrangeiros em situações humanitárias urgentes ou de interesse público.
A saída ocorreu logo após a derrota de Flávio nas eleições presidenciais de 2026. O petista Luiz Inácio Lula da Silva venceu o pleito com 64.256.232 votos, equivalente a 51,79% do total. Flávio obteve 59.826.041 votos, o que representa 48,21%. O senador fugiu do país temendo decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Bastidores da operação de transporte e entrada
Jason Miller providenciou o jato particular utilizado na fuga. A Casa Branca confirmou que o senador e seus familiares foram inspecionados pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA. Após a inspeção, o grupo recebeu a permissão de entrada na categoria "DT", que significa admissão temporária concedida no local. O Departamento de Segurança Interna dos EUA declarou que o procedimento seguiu as leis migratórias vigentes.
O documento de imigração de Flávio Bolsonaro tem validade de um ano, expirando em 27 de outubro de 2027. Autoridades norte-americanas indicaram que o senador poderá solicitar residência permanente, o famoso green card, no futuro. Enquanto isso, Flávio mantém seu mandato de senador pelo Rio de Janeiro, que vai até fevereiro de 2027. O parlamentar continua recebendo seu salário mensal de R$ 46.366,19, sem ter solicitado licença do cargo.
Em carta divulgada na quarta-feira (28), Flávio agradeceu o apoio de Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei. No texto, ele se autodenominou "líder do Brasil" e afirmou ser vítima de perseguição política. O governo brasileiro recebeu o documento como uma peça de autossabotagem e pretende ignorar o conteúdo, tratando-o como um gesto sem valor jurídico ou diplomático.
Imbróglio jurídico e a apreensão do passaporte
A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem, pois não há registro oficial de saída do senador. O Tribunal Superior Eleitoral declarou o resultado das eleições às 21h09 do dia 25 de outubro. Apenas sete minutos depois, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o pedido da PF para apreender o passaporte de Flávio e proibi-lo de sair do território nacional. A fuga ocorreu antes da execução da ordem judicial.
Sobre uma possível extradição, o cenário jurídico é complexo. O Brasil possui um acordo de extradição com os Estados Unidos desde 1961. Contudo, o envio de volta ao Brasil depende de uma ordem de prisão formal, que ainda não foi emitida pela Justiça brasileira. Mesmo com o pedido, a Justiça norte-americana teria autonomia para avaliar se as acusações são válidas no território dos EUA. Deputados democratas já se manifestaram publicamente, afirmando que a derrota eleitoral não é motivo legítimo para a concessão de asilo político.
O caso marca o ápice de uma série de embates entre o clã Bolsonaro e o Poder Judiciário brasileiro. A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, com apoio direto de aliados de Donald Trump, repete o roteiro de asilados políticos que buscam proteção em nações alinhadas ideologicamente para evitar o cumprimento de ordens judiciais emitidas pelo Supremo Tribunal Federal.