Trump evita apoiar declaração de Flávio Bolsonaro e diz que não vai se envolver
Ex-presidente americano recusou pedido de Flávio para validação e afirmou apenas que permitiu sua entrada nos Estados Unidos.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, G1, Globo, UOL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump recusou nesta terça-feira (28) apoiar a declaração do senador derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de que seria o verdadeiro presidente do Brasil. Questionado por jornalistas no exterior, Trump afirmou diretamente que não pretende se envolver na polêmica gerada pela publicação e recuo do aliado político.
Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos após perder o segundo turno das eleições presidenciais para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A disputa eleitoral ocorreu no domingo (25) e definiu o comando do Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos com base nos dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Não vou comentar isso. Nós demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas não vou me envolver", declarou Trump ao ser questionado sobre o teor da carta divulgada pelo senador brasileiro nas redes sociais. O republicano também repetiu críticas sem provas ao sistema de votação brasileiro, classificando o pleito como "muito estranho".
A carta divulgada e o recuo imediato
Mais cedo, Flávio Bolsonaro publicou um documento em formato de imagem em suas redes sociais declarando-se o "verdadeiro presidente do Brasil" e o "presidente eleito". Na mesma carta, o parlamentar agradecia o apoio de líderes estrangeiros de extrema-direita, incluindo o próprio Donald Trump e o presidente da Argentina, Javier Milei.
Horas após a repercussão negativa da postagem, o senador editou o material publicado e substituiu os termos golpistas. As expressões que contestavam o resultado oficial das urnas deram lugar a nomenclaturas mais brandas, como "líder do Brasil" e apenas "líder", na tentativa de conter o desgaste institucional da fuga para o exterior.
A manobra lembra episódios passados da política internacional, mas esbarra na solidez do pleito brasileiro. O resultado proclamado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques — indicado ao Supremo Tribunal Federal em 2020 por Jair Bolsonaro —, confirmou a vitória legítima do governo petista nas urnas eletrônicas.
Os números oficiais e a matemática da eleição
O Tribunal Superior Eleitoral registrou a vitória de Lula com 64.256.232 votos, o que representou 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, totalizando 48,21% dos válidos. A diferença final entre os dois concorrentes foi de exatos 4,4 milhões de votos.
Na carta inicial, o senador derrotado tentou justificar uma suposta fraude alegando que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar a votação até as 19h teria gerado uma impossibilidade matemática. A tese foi amplamente desmentida por especialistas em apuração e estatística eleitoral.
A prorrogação ocorreu porque eleitores enfrentaram longas filas e problemas no transporte público em várias cidades, direito garantido pelo Código Eleitoral para quem já estava na zona eleitoral. Mesmo se todos os votos do horário extra tivessem sido direcionados a Lula, eles representariam menos de 1% da diferença real apurada entre os candidatos.
Além disso, o crescimento de votos do atual presidente entre o primeiro e o segundo turno decorreu da migração de eleitores que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno e da queda na abstenção nacional. Cerca de 14,1 milhões de votos adicionais foram distribuídos entre os dois finalistas no segundo turno.
A tentativa de contestação mimetiza a cartada golpista adotada por Juan Guaidó na Venezuela em 2019, quando o opositor se autoproclamou presidente interino com apoio internacional dos Estados Unidos. No entanto, o plano de Flávio Bolsonaro perdeu tração imediata após a recusa de Donald Trump em avalizar a manobra e a firmeza das instituições brasileiras na defesa da soberania popular.