Tribunal Superior Eleitoral e partidos rejeitam carta golpista de Flávio Bolsonaro
Candidato derrotado foge para os EUA, divulga e apaga manifesto com ataques ao TSE, enquanto partidos e Kassio Nunes Marques confirmam a vitória legítima de Lula.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, G1, Poder360, Tribunal Superior Eleitoral, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou nesta terça-feira (28) que as eleições presidenciais de 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com segurança. A declaração ocorre após o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) publicar uma carta nos Estados Unidos na qual acusa, sem provas, fraude eleitoral e se autoproclama o verdadeiro presidente do Brasil.
Flávio Bolsonaro deixou o território nacional acompanhado da esposa e das duas filhas adolescentes por temer eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte do senador sete minutos após o TSE declarar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às 21h09 de 25 de outubro de 2026. Lula obteve 64.256.232 votos, o que representa 51,79% dos válidos, enquanto Flávio registrou 59.826.041 votos, equivalente a 48,21%.
A reação institucional e o isolamento político da extrema-direita
Diante do manifesto publicado nas redes sociais, sete partidos políticos assinaram uma nota conjunta de repúdio contra a contestação do resultado urnas. PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede e PDT criticaram a tentativa de envolver potências estrangeiras na política interna do país. Os partidos afirmaram no documento que a sociedade brasileira não aceita qualquer tipo de interferência estrangeira no processo democrático.
O ministro Kassio Nunes Marques destacou o compromisso da Justiça Eleitoral com a vontade soberana do eleitorado que escolheu seus representantes nas urnas. O magistrado reconheceu que houve instabilidade na reta final do pleito, mas elogiou o trabalho dos técnicos do tribunal. Questionado sobre as críticas, o presidente do TSE garantiu que todas as demandas apresentadas dentro do devido processo legal serão respondidas pelas instâncias competentes.
As alegações de fraude formuladas por Flávio Bolsonaro mencionam a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que prorrogou a votação do segundo turno até as 19h do dia 25 de outubro. O senador classificou a medida como uma impossibilidade matemática. No entanto, dados oficiais do próprio TSE demonstram que apenas 34.393 votos foram computados após as 17h, um volume insignificante diante da diferença de 4,4 milhões de votos que garantiu a vitória do atual presidente.
A fuga para o exterior e a mudança repentina de tom no manifesto
Minutos após publicar o primeiro texto em sua rede social, no qual utilizava as expressões verdadeiro presidente do Brasil e presidente eleito, Flávio Bolsonaro apagou a postagem original. Em seguida, o senador republicou o documento substituindo os termos por líder do Brasil e líder. A guinada na narrativa ocorreu horas depois de sua chegada em solo norte-americano, onde pretende liderar o bloco de oposição contra o governo federal.
O coordenador da campanha derrotada do senador declarou publicamente que não existem provas materiais de fraude eleitoral, desautorizando o discurso golpista do aliado. O Partido Liberal, sigla de Flávio, adotou postura divergente da nota do ex-candidato ao reconhecer formalmente o resultado das urnas, limitando-se a pedir esclarecimentos burocráticos à Justiça Eleitoral sem colocar em dúvida a soberania popular.
O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi marcado por acirrada disputa e forte polarização entre o projeto liderado por Luiz Inácio Lula da Silva e a candidatura da extrema-direita encabeçada por Flávio Bolsonaro. Após a proclamação do resultado legítimo pelo TSE, setores derrotados tentaram emplacar narrativas de contestação sem respaldo jurídico, repetindo o padrão de ataques institucionais observados em pleitos anteriores para desmobilizar a classe trabalhadora e tutelar a democracia brasileira.