Após fuga para os EUA, Flávio Bolsonaro recua em carta golpista e troca termo após usar brasão imperial
Senador derrotado nas urnas foge para os EUA, autoproclama-se presidente em carta com erros históricos e depois recua sob pressão.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, O GLOBO, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após a derrota nas urnas e divulgou uma carta nesta terça-feira (28) autoproclamando-se "verdadeiro presidente eleito do Brasil". O texto continha um brasão nacional substituído durante a ditadura militar e remetia ao nome histórico "Estados Unidos do Brazil". Diante da repercussão negativa e do isolamento político, o parlamentar recuou horas depois, apagou a postagem original e substituiu a expressão por "líder do Brasil".
A apuração revela que a primeira versão do documento foi distribuída inicialmente por Paulo Figueiredo, aliado do clã bolsonarista que também reside em solo norte-americano. Ao enviar o arquivo corrigido aos grupos de apoio, Figueiredo justificou a troca afirmando se tratar de uma "versão com brasão correto". Na disputa presidencial encerrada nas urnas, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve cerca de 4,4 milhões de votos a mais que o adversário derrotado.
Ataques ao Judiciário e apoio internacional
No conteúdo da carta, Flávio agradeceu publicamente aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, pelo acolhimento no exterior. O senador sustentou, sem apresentar nenhuma prova material, que ocorreu fraude no processo eleitoral brasileiro. Entre os alvos das críticas está o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestando a decisão de prorrogar o horário de votação até as 19h no dia do pleito.
Dados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que pouco mais de 30 mil votos foram computados entre 17h e 19h, montagem numérica irrelevante que não alterou o resultado geral da disputa. O TSE reiterou que todo o processo ocorreu com total segurança e transparência. Mesmo assim, o parlamentar alegou viver sob um suposto regime de exceção e perseguição política, comparando sua saída do país ao exílio histórico de figuras perseguidas.
Repercussão partidária e isolamento
A investida golpista isolou o senador até mesmo dentro de sua própria legenda. O Partido Liberal (PL) reconheceu oficialmente o resultado das urnas logo após a proclamação da vitória de Lula, embora tenha pedido esclarecimentos formais à Justiça eleitoral. Enquanto líderes da ala mais radical no Congresso tentam demonstrar apoio ao colega exilado, setores democráticos americanos e brasileiros criticam severamente a tentativa de tumultuar a transição institucional.
Ao final da nova versão do texto publicado nas redes sociais, Flávio prometeu manter comunicação frequente com sua base eleitoral a partir dos Estados Unidos. Ele anunciou que apresentará uma estratégia para mobilizar apoiadores por meios pacíficos, tentando reorganizar a oposição ao governo petista direto do exterior, enquanto enfrenta o desgaste político gerado por sua retirada repentina do território nacional.
A fuga de figuras da extrema-direita para os Estados Unidos após derrotas eleitorais tem se tornado um padrão recorrente de tentativa de desestabilização institucional. A estratégia busca blindar lideranças políticas nacionais em jurisdições estrangeiras simpáticas ao discurso golpista, repetindo táticas de contestação sem provas da lisura do sistema eleitoral brasileiro.