Estatais federais registram déficit recorde de R$ 2 bilhões em setembro, aponta Banco Central
Banco Central revela rombo histórico nas estatais federais em setembro, enquanto a dívida bruta do setor público atinge R$ 11,1 trilhões.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, O GLOBO, UOL Economia). Novos desdobramentos a qualquer momento.
As estatais federais registraram um déficit primário recorde de R$ 2 bilhões no mês de setembro, o maior valor para o período desde o início da série histórica do Banco Central, em 2002. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (30) pela autoridade monetária, em conjunto com os indicadores fiscais que mostram a escalada da dívida pública brasileira em meio ao impacto dos juros altos sobre o orçamento da União.
A última vez que o grupo de empresas estatais federais apresentou resultado positivo em setembro ocorreu em 2021, quando houve superávit de R$ 1,3 bilhão. Nos últimos cinco anos, o saldo foi persistentemente negativo. No mesmo mês de 2025, o rombo havia sido de R$ 751 milhões, evidenciando o salto expressivo no desequilíbrio das contas dessas companhias estatais.
O peso dos Correios e a deterioração patrimonial
O resultado negativo reflete diretamente a situação financeira dos Correios, que enfrentam um cenário de forte deterioração operacional. No segundo trimestre, último dado oficial divulgado pela empresa pública, o prejuízo alcançou R$ 2,4 bilhões. O valor representa uma queda de 5,5% em relação ao resultado negativo de R$ 2,53 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
Analistas do mercado financeiro apontam que o passivo acumulado pelas empresas estatais pressiona as contas públicas em um momento de restrição fiscal. O governo federal tenta conter despesas, mas a rigidez orçamentária e os compromissos financeiros dificultam a reversão rápida do quadro deficitário dessas companhias controladas pela União.
Dívida bruta chega a R$ 11,1 trilhões e juros consomem recursos
Em paralelo ao resultado das estatais, o Banco Central informou que a dívida bruta do setor público consolidado atingiu R$ 11,1 trilhões em setembro, mantendo-se em 82,9% do PIB. O indicador, que abrange o governo federal, estados, municípios e o INSS, está no maior patamar desde março de 2021, quando alcançou 85,1% do PIB durante a crise sanitária da covid-19.
A alta do endividamento é impulsionada principalmente pelo pagamento de juros nominais, que somaram R$ 1,205 trilhão no acumulado de 12 meses até setembro, o equivalente a 8,99% do PIB. Somente no mês de setembro, os juros chegaram a R$ 107,5 bilhões, uma alta de 26,9% na comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionados pelas operações de swap cambial e pelo aumento do estoque da dívida.
O déficit nominal do setor público consolidado atingiu R$ 1,275 trilhão em 12 meses, ou 9,51% do PIB. Diante desse cenário, economistas alertam para a necessidade de reformas estruturais e controle rigoroso dos gastos públicos para estabilizar a trajetória da dívida e evitar novas pressões inflacionárias sobre a economia nacional.
O endividamento público brasileiro tem seguido trajetória ascendente nos últimos anos, acumulando alta de mais de 11 pontos percentuais do PIB desde o início do atual mandato presidencial em 2022. A pressão fiscal é intensificada pela combinação de juros elevados definidos pelo Banco Central para conter a inflação e pelo baixo desempenho operacional de empresas estatais históricas, exigindo debates intensos no Congresso Nacional sobre a sustentabilidade das contas públicas e o papel econômico do Estado.