Eleição de Israel termina sem maioria e abre disputa por novo governo

Com 53 cadeiras, bloco de Netanyahu não atinge os 61 assentos necessários. Oposição de Eisenkot soma 48 e partidos árabes definem o futuro do parlamento.

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Eleição de Israel termina sem maioria e abre disputa por novo governo
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CNN Brasil, G1, Poder360, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Comissão Eleitoral Central de Israel divulgou os resultados finais das eleições parlamentares realizadas em 27 de outubro. O cenário aponta um impasse político sem precedentes. O bloco liderado pelo atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, o parlamento israelense. A oposição, encabeçada pelo ex-chefe militar Gadi Eisenkot, garantiu 48 assentos. Para formar um governo, qualquer coalizão precisa de maioria absoluta de 61 cadeiras.

O comparecimento às urnas atingiu 77,9%, o maior índice em décadas. Foram contabilizados 5.716.665 votos, sendo 5.690.778 válidos e 25.887 invalidados. O partido Likud, de Netanyahu, permanece como a maior legenda individual, com 27 cadeiras e 1.167.458 votos, o que representa 20,52% do total. O Yashar, de Eisenkot, obteve 21 cadeiras com 913.502 votos, totalizando 16,05%.

O papel decisivo dos partidos árabes

Os partidos árabes, representados pela Lista Conjunta e pelo Ra'am, conquistaram 19 assentos no parlamento. Este resultado recorde coloca essas legendas no centro da balança política. Sem a maioria absoluta, Netanyahu e Eisenkot dependem de negociações complexas com esses grupos para viabilizar qualquer tentativa de governo. A polarização interna, contudo, cria barreiras ideológicas para alianças formais.

A coalizão de Netanyahu é composta pelos partidos Likud, Shas, UTJ, RZP e Otzma Yehudit. Antes do pleito, o grupo detinha 63 assentos, o que permitia governabilidade estável. A perda de 10 cadeiras retira o premiê da zona de conforto. Do outro lado, o bloco de oposição reúne o Yashar, B'Yachad, Democratas e Yisrael Beiteinu. O B'Yachad, liderado pelo ex-premiê Naftali Bennett, obteve 531.414 votos, alcançando 9,34% da preferência popular.

Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, principais nomes da disputa eleitoral israelense.
Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot, principais nomes da disputa eleitoral israelense. (Foto: Reuters)

Caminhos incertos para a formação do governo

O presidente Isaac Herzog deve iniciar na próxima semana as consultas com os líderes partidários. O objetivo é identificar qual grupo possui maior viabilidade para compor um gabinete. O processo pode durar um mês ou mais, caso as negociações iniciais fracassem. A instabilidade reflete o descontentamento de parte da população com a gestão da segurança nacional e a condução dos conflitos regionais.

Analistas apontam que o resultado funciona como um referendo sobre a atuação de Netanyahu após os ataques de 7 de outubro. Críticos apontam falhas na inteligência e o alto custo humanitário das operações em Gaza, onde o número de mortos já ultrapassa 70 mil. Netanyahu nega responsabilidade e defende sua permanência como essencial para a segurança do país. Eisenkot propõe uma abordagem mais diplomática e defende uma comissão independente para investigar as falhas de segurança.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Israel vive uma crise de representatividade marcada por seguidas eleições em curto intervalo de tempo. A fragmentação do sistema partidário impede a formação de maiorias sólidas, forçando coalizões instáveis. O cenário atual é agravado por processos judiciais contra Netanyahu e pela pressão internacional sobre a política externa do país.