O economista de 31 anos que previu a reeleição de Lula duas horas antes do TSE

Rodrigo Mahlmeister utilizou um modelo estatístico próprio para antecipar a vitória petista enquanto a apuração ainda indicava vantagem de Flávio Bolsonaro.

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O economista de 31 anos que previu a reeleição de Lula duas horas antes do TSE
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brazil Journal, CartaCapital, Estadão, NeoFeed, Pipeline). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O economista paulistano Rodrigo Mahlmeister, de 31 anos, tornou-se o centro das atenções políticas após antecipar o resultado das eleições presidenciais. Às 19h30 do último domingo, enquanto a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda mostrava Flávio Bolsonaro à frente, o modelo estatístico de Mahlmeister já apontava a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

O autor do projeto, que possui mestrado em ciência política e é doutorando na Universidade Duke, nos Estados Unidos, projetou que o petista alcançaria 51,7% dos votos válidos. O resultado final, confirmado pelo TSE às 21h08, foi de 51,79% para Lula contra 48,21% para o candidato do PL. A diferença total foi de 4,4 milhões de votos.

A ciência por trás da projeção

O modelo utilizado por Mahlmeister baseia-se em padrões históricos das eleições de 2022 e do primeiro turno deste ano. O sistema simula o resultado das urnas que ainda não foram contabilizadas, cruzando dados de votação em tempo real com o histórico geográfico e demográfico das seções eleitorais. A precisão foi tamanha que o jornal Estadão contratou o pesquisador para realizar as projeções durante o segundo turno.

O economista admite que viveu momentos de tensão durante a apuração. Ele afirma que só sentiu segurança nos números quando a contagem atingiu 20% das urnas. Mahlmeister confessa que poderia ter divulgado a projeção ainda mais cedo, com apenas 1% dos votos apurados, caso tivesse confiado plenamente na robustez do seu método desde o início.

A repercussão do trabalho nas redes sociais foi imediata. O projeto foi visualizado por mais de um milhão de pessoas no X, o antigo Twitter. A precisão do modelo influenciou diretamente o mercado financeiro e as plataformas de apostas, como a Polymarket, que movimentou R$ 1,3 bilhão durante o pleito. Por volta das 19h30, as apostas na vitória de Lula saltaram para 70% de probabilidade após semanas de liderança de Flávio Bolsonaro.

A marcha da apuração mostrou a virada de Lula após a contagem das urnas em redutos estratégicos.
A marcha da apuração mostrou a virada de Lula após a contagem das urnas em redutos estratégicos. (Foto: Gazeta Estrela Vermelha)

O fracasso das pesquisas tradicionais

A vitória de Lula expôs a dificuldade dos institutos de pesquisa tradicionais em captar o comportamento do eleitor na reta final. Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, reconheceu que os institutos não detectaram a queda na abstenção. O índice de eleitores que não compareceram às urnas caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo, o que representa 2,9 milhões de pessoas a mais votando.

Hidalgo afirmou que a mobilização da esquerda e as promessas de campanha de Lula foram fatores decisivos para essa mudança. Para evitar erros futuros, o instituto planeja antecipar a divulgação da última pesquisa para as 14h do domingo de votação. A ideia é captar o sentimento real do eleitor no momento em que ele se dirige às urnas, evitando distorções causadas por mudanças de última hora.

O episódio levanta um debate sobre o futuro da análise política no Brasil. Enquanto os institutos tradicionais enfrentam questionamentos sobre suas metodologias, modelos baseados em dados de alta frequência e simulações estatísticas ganham espaço. O sucesso de Mahlmeister demonstra que o acesso a dados brutos e a capacidade de processamento estatístico estão mudando a forma como o país acompanha o destino das urnas.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

As eleições de 2026 foram marcadas por uma polarização extrema, com o governo Lula buscando a reeleição contra Flávio Bolsonaro. O pleito foi acompanhado por uma vigilância rigorosa do TSE sobre o uso de redes sociais e o combate à desinformação, que pautou o debate público desde o início da campanha.