Dólar dispara e Fazenda coordena intervenção do Tesouro para conter volatilidade

Após alta da moeda americana, ministro Dario Durigan anuncia recompra de R$ 7,1 bilhões em títulos e busca coordenação com o Banco Central.

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Dólar dispara e Fazenda coordena intervenção do Tesouro para conter volatilidade
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, Folha de S.Paulo, InfoMoney, O GLOBO, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou neste domingo (26) uma intervenção direta do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos. A medida ocorre após uma forte disparada do dólar e instabilidade nos preços dos papéis da dívida brasileira. O governo busca, segundo o ministro, garantir a normalidade das negociações após o resultado eleitoral.

Durigan afirmou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O objetivo é coordenar a atuação do Tesouro com a autoridade monetária para evitar que a intervenção nos juros pressione ainda mais o câmbio. O Tesouro já recomprou R$ 7,1 bilhões em títulos públicos para dar liquidez ao mercado.

A estratégia de recompra e o controle de gastos

O Tesouro Nacional realizou leilão extraordinário para recomprar títulos NTN-B (Notas do Tesouro Nacional Série B), que são papéis atrelados à inflação. Foram adquiridos 1 milhão de papéis com vencimento em 2030, 895,7 mil para 2035, 1 milhão para 2040 e 919,7 mil para 2045. A taxa de corte chegou a 8,10% em alguns vencimentos, sinalizando o custo elevado que o governo aceitou pagar para acalmar os investidores.

O ministro reforçou que a intenção não é controlar preços, mas garantir que o mercado funcione sem pânico. Ele prometeu que o governo manterá o foco no centro da meta de resultado primário, que é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta. O plano inclui a revisão de despesas obrigatórias e o fim de medidas parafiscais, que são gastos feitos fora do orçamento formal, adotadas ao longo deste ano.

Durigan foi enfático ao dizer que o governo buscará estabilizar a dívida pública e os juros. A meta é permitir, respeitando a autonomia do Banco Central, que a taxa Selic — o juro básico da economia que define o custo dos empréstimos e financiamentos no país — possa cair no médio e longo prazo.

Mercado financeiro reage com volatilidade após anúncios do governo.
Mercado financeiro reage com volatilidade após anúncios do governo. (Foto: Gazeta Estrela Vermelha)

Reações do mercado e orientações ao investidor

O mercado financeiro reagiu com volatilidade. Ações de estatais como Petrobras e Banco do Brasil registraram quedas expressivas. Especialistas recomendam cautela para quem investe na renda fixa. A orientação atual é manter ao menos 50% da carteira em liquidez, ou seja, em aplicações que podem ser sacadas rapidamente, como títulos atrelados à Selic ou ao CDI, até que o cenário político se defina.

Analistas apontam que, apesar do estresse, títulos de longo prazo atrelados ao IPCA (índice oficial de inflação) podem oferecer bons retornos para quem tem perfil de risco. A lógica é que, se o governo não conseguir controlar os gastos, a inflação será o mecanismo de ajuste. Ter até 20% da carteira nesses papéis é uma estratégia citada por gestores de investimentos para proteger o poder de compra.

O ministro da Fazenda pediu que não haja “chantagem de um lado e nem retaliação de outro” nas relações com o mercado. O governo tenta agora transmitir confiança para evitar que a desconfiança dos investidores se transforme em uma crise econômica duradoura. O Banco Central segue monitorando o câmbio e só deve atuar se identificar uma falha grave no funcionamento do mercado de moedas.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O Brasil enfrenta um cenário de alta pressão fiscal após o ciclo eleitoral de 2026, com investidores cobrando prêmios maiores para financiar a dívida pública. A coordenação entre Fazenda e Banco Central é um teste de fogo para a estabilidade econômica, em um momento onde o país ostenta um dos juros reais mais altos do mundo, encarecendo o crédito para o setor produtivo e para as famílias.