Câmara Municipal de SP elege desafeto de Ricardo Nunes para presidir comissão de impeachment

A escolha de um crítico ferrenho do prefeito para liderar o processo de cassação sinaliza isolamento político de Nunes após polêmica com frota de ônibus.

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Câmara Municipal de SP elege desafeto de Ricardo Nunes para presidir comissão de impeachment
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CartaCapital, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Câmara Municipal de São Paulo oficializou a escolha de um dos principais opositores do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para comandar a comissão que analisa o pedido de impeachment contra o chefe do Executivo. A decisão marca uma mudança drástica no cenário político da capital paulista, fragilizando a base de apoio do prefeito após o desgaste causado pela gestão do transporte público no segundo turno das eleições.

O colapso do transporte no segundo turno

O processo de impeachment ganhou força após o descumprimento de uma ordem judicial pelo governo municipal. A Justiça Eleitoral havia determinado que 100% da frota de ônibus de um dia útil circulasse no domingo de votação, dia 25 de outubro. O objetivo era garantir que o eleitor tivesse acesso facilitado aos locais de votação.

Dados oficiais revelam que apenas 8.814 ônibus circularam pela cidade no dia do pleito. O número representa apenas 71% da frota que opera em um dia normal. A gestão Nunes havia planejado inicialmente a circulação de 6.900 veículos, mas a pressão popular e a ordem judicial forçaram um aumento parcial. Mesmo assim, o resultado ficou muito abaixo dos 11 mil a 12 mil veículos que rodam em dias de semana.

A prefeitura justificou a falha alegando dificuldades operacionais para convocar funcionários das empresas de ônibus em prazo reduzido. Ricardo Nunes afirmou publicamente que, na avaliação da prefeitura, nenhum cidadão deixou de votar por falta de transporte. A oposição, contudo, aponta o fato como uma tentativa deliberada de dificultar o acesso de eleitores de periferia às urnas.

Prefeito Ricardo Nunes enfrenta pressão política após falhas no transporte público durante o segundo turno.
Prefeito Ricardo Nunes enfrenta pressão política após falhas no transporte público durante o segundo turno. (Foto: Reprodução/TV Globo)

A articulação política contra a gestão

A escolha do relator e do presidente da comissão de impeachment reflete o isolamento de Nunes. A esquerda, fortalecida pela reeleição do presidente Lula, intensificou a mobilização nas ruas e nos corredores do Legislativo. O clima na Câmara é de pressão máxima, com parlamentares de diversos espectros exigindo explicações sobre o contrato com as empresas de ônibus e a responsabilidade da Secretaria Municipal de Mobilidade.

O comando da comissão por um desafeto político de Nunes retira do prefeito o controle sobre o ritmo das investigações. Na prática, isso significa que o rito de análise do pedido de cassação deve seguir um cronograma rigoroso, sem as manobras protelatórias comuns em comissões alinhadas ao governo. A oposição agora possui a caneta necessária para convocar secretários e exigir o acesso a documentos sigilosos sobre o repasse de verbas às concessionárias de transporte.

Quem paga a conta dessa crise é o cidadão paulistano, que enfrentou longas filas e terminais lotados no último domingo. A disputa política agora gira em torno da responsabilidade final pela redução da frota. Enquanto o prefeito tenta transferir a culpa para as empresas privadas, a Câmara busca entender por que a fiscalização municipal não garantiu o cumprimento da ordem judicial. O desfecho desta comissão definirá não apenas o futuro político de Nunes, mas também a relação de forças entre o Executivo e o Legislativo paulistano até o final do mandato.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A crise do transporte público em São Paulo é um desdobramento direto da resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de fevereiro de 2026, que equiparou a frota de dias de eleição à de dias úteis. A tensão entre a gestão municipal e a Justiça Eleitoral escalou desde o sábado anterior ao segundo turno, culminando na abertura deste processo de impeachment na Câmara Municipal.