Deputado italiano cobra auditoria sobre cidadania relâmpago dos irmãos Bolsonaro

Ângelo Bonelli pede investigação na Itália após Flávio usar passaporte europeu na fuga. Cidadania dos filhos de Jair saiu em meses.

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Deputado italiano cobra auditoria sobre cidadania relâmpago dos irmãos Bolsonaro
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CBN, CNN Brasil, Estadão, ICL Notícias, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O deputado italiano Ângelo Bonelli apresentou uma interpelação oficial ao governo da Itália para exigir uma auditoria rigorosa sobre a concessão de cidadania aos irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. O pedido ocorre após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro utilizou um passaporte italiano para fugir do Brasil, passando pela Argentina e Equador antes de ingressar nos Estados Unidos com um documento diplomático brasileiro posteriormente cancelado pela Polícia Federal.

Na petição encaminhada ao parlamento italiano, Bonelli aponta que o benefício foi concedido aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em tempo recorde. Enquanto trabalhadores comuns e descendentes de italianos enfrentam filas de dez a quinze anos no Brasil para obter o reconhecimento legal, o processo dos filhos do clã político tramitou de forma acelerada entre 2020 e 2024.

Cronologia privilegiada nos consulados

Os registros oficiais apontam que Flávio e Eduardo entraram na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília no ano de 2020. Em 8 de novembro de 2022, exatos nove dias após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva, os dois irmãos compareceram pessoalmente à sede diplomática para cobrar o andamento do processo.

A manobra ocorreu no momento em que o consulado na capital federal convocava apenas os requerentes cadastrados ainda no ano de 2018, período que acumulava mais de 112 mil pedidos represados. Mesmo com a fila monumental e a suspensão de convocações que vigorava havia anos, a cidadania dos dois irmãos foi concedida em 2023, enquanto o processo de Carlos Bolsonaro foi finalizado em 2024.

O deputado italiano classificou o tratamento como um privilégio político inaceitável. "A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há dez anos e para os filhos dos poderosos", declarou Bonelli em comunicado público, destacando a disparidade de tratamento entre cidadãos comuns e aliados da direita italiana.

Documento europeu foi utilizado por Flávio Bolsonaro durante fuga para a Argentina.
Documento europeu foi utilizado por Flávio Bolsonaro durante fuga para a Argentina. (Foto: Reprodução)

Uso de passaporte para escapar da Justiça

A investigação na Europa ganha força diante do risco real de que os irmãos utilizem a cidadania europeia para blindar investigações criminais em curso no Brasil. Flávio Bolsonaro já teve o passaporte incluído em alertas internacionais após deixar o território brasileiro de forma clandestina, gerando repercussão imediata entre autoridades federais.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, admitiu publicamente ter aconselhado Flávio a não deixar o país após o pleito presidencial, embora tenha evitado condenar a decisão do aliado. Paralelamente, o chanceler italiano justificou que o caso avançou devido a uma lei antiga e permissiva baseada no princípio jurídico do *jus sanguinis*, que garante o direito de sangue por meio de ascendência de um bisavô de Jair Bolsonaro originário da região do Vêneto.

O escândalo ganha contornos ainda mais graves com a comparação feita pelo parlamentar italiano sobre a hipocrisia legislativa em Roma. Enquanto o governo endureceu as regras em março de 2025 para fechar as portas da cidadania a milhares de descendentes comuns, os aliados ligados ao partido Liga, liderado pelo vice-premiê Matteo Salvini, obtiveram facilidades burocráticas absolutas.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A concessão expressa de passaportes europeus a figuras da extrema-direita investigadas no Brasil expõe a fragilidade dos mecanismos consulares diante de privilégios políticos internacionais. Enquanto trabalhadores brasileiros descendentes de imigrantes aguardam décadas na fila legal, clãs no poder utilizam laços diplomáticos e partidos aliados na Europa para escapar da responsabilização perante a Justiça.