Democratas dos EUA criticam plano do governo Trump de conceder visto a Flávio Bolsonaro
Comitê de Relações Exteriores da Câmara americana questiona tratamento privilegiado ao senador brasileiro e compara caso a refugiados do Sudão e Haiti.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Pública, CNN Brasil, G1, UOL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O governo dos Estados Unidos enfrenta forte pressão interna após o presidente Donald Trump sinalizar a concessão de vistos para o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sua família. Integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos EUA, liderados por parlamentares democratas, classificaram a medida como um privilégio inaceitável.
A crítica central do comitê aponta para uma disparidade na política migratória americana. O grupo destacou que o governo atual nega asilo a pessoas que fogem de conflitos armados no Sudão e no Haiti, enquanto estende um "tapete vermelho" para o senador brasileiro. Segundo os parlamentares, a justificativa para a entrada de Flávio seria o questionamento dos resultados eleitorais no Brasil, o que, para eles, não configura motivo legítimo para proteção internacional.
A rota de fuga e o impasse jurídico
A movimentação do senador começou na noite de terça-feira (27), quando ele atravessou a fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, na Argentina. Registros da Direção Nacional de Migrações argentina confirmam a entrada de Flávio, sua esposa Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e suas duas filhas às 22h50. O grupo utilizou carteiras de identidade, documento aceito entre países do Mercosul.
Quarenta minutos após a entrada, às 23h30, a família embarcou em um voo privado operado pela empresa Baires Fly S.A. Com destino a Guayaquil, no Equador. A aeronave, a mesma utilizada pelo presidente argentino Javier Milei em viagens anteriores, custou entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,35 milhão. Após uma escala técnica no Equador, o jato seguiu viagem rumo ao norte, com destino final declarado em Miami.
A fuga ocorre em um momento de cerco judicial no Brasil. O Supremo Tribunal Federal (STF) havia determinado a entrega e o cancelamento dos passaportes de Flávio, tanto o comum quanto o diplomático, devido ao risco de evasão. O senador responde a inquéritos por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A medida cautelar, ou seja, uma decisão provisória da Justiça para evitar que o investigado escape antes do julgamento final, foi ignorada pelo senador ao utilizar documentos de identidade para cruzar a fronteira terrestre.
Reações políticas e o apoio de Trump
Donald Trump defendeu publicamente a entrada do brasileiro em solo americano. Em declarações recentes, o presidente dos EUA afirmou que teria aprovado o visto por considerar a família "boa gente". Trump aproveitou o episódio para atacar o sistema eleitoral brasileiro, classificando a eleição de domingo (25) como "estranha" e "terrível", em um discurso que ecoa as narrativas de contestação do bolsonarismo.
A postura de Trump gerou indignação entre os democratas. O candidato Isaiah Martin, em publicação na rede social Threads, reforçou as críticas do comitê parlamentar, condenando o acolhimento de uma figura política sob investigação criminal. Enquanto o governo americano facilita a entrada, o Ministério da Segurança da Argentina informou que, até o momento, não houve registro oficial de entrada de Flávio em território americano, embora o plano de voo indique Miami como destino.
A situação coloca em xeque a diplomacia entre os dois países. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre os pedidos de extradição ou cooperação internacional para o retorno do senador. A conta dessa operação de fuga, que envolve jatos privados e logística internacional, levanta questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados pela família, em um momento em que o patrimônio do senador é alvo de investigações por suspeita de desvios de verbas públicas.
O senador Flávio Bolsonaro é alvo de investigações de longa data sobre o esquema de 'rachadinha' em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A derrota do clã nas eleições de 2026 acelerou o temor de prisão, levando a família a buscar refúgio político em aliados internacionais que compartilham da retórica de contestação democrática.