Consumo de alimentos cresce nos lares após veto às bets e queda no Pix
Vendas de supermercados sobem até 6,5% em outubro com alívio no orçamento das famílias após o fim das apostas online.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CartaCapital, InfoMoney, VEJA, Vermelho). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O consumo de alimentos nos lares brasileiros registrou alta expressiva nas primeiras semanas de outubro deste ano. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e confirmam o alívio imediato no orçamento das famílias trabalhadoras.
O movimento ocorre logo após a proibição das apostas esportivas virtuais, conhecidas como bets, determinada pelo governo federal por meio da Medida Provisória 1394/2026 no final de setembro. Com menos dinheiro drenado para plataformas digitais, o dinheiro voltou para a mesa do povo.
Na semana de 5 a 11 de outubro, as vendas nos supermercados avançaram 6,5%. O ritmo continuou forte no período de 12 a 18 de outubro, com alta de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento da Abras aponta que produtos essenciais lideram as compras, com destaque para arroz, óleo, macarrão e café.
O dinheiro que volta para a mesa do trabalhador
A pesquisa detalha que o crescimento nas vendas de itens básicos reflete diretamente a mudança no comportamento de consumo da classe trabalhadora. O presidente da Abras, João Galassi, afirmou que o fim das bets gerou expansão em todos os canais do varejo alimentar.
"Tivemos um aumento em todos os estados e em todos os nossos canais de vendas, ou seja, supermercados, atacarejos, lojas de vizinhança e pequenas lojas", destacou Galassi. A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) também corroborou os dados e destacou que o resultado evidencia o impacto positivo da medida nas contas das famílias.
Na semana de 12 a 18 de outubro, o setor supermercadista registrou crescimento de 6,9% em faturamento e 1,8% em volume vendido, conforme o levantamento da NielsenIQ. Na semana anterior, a evolução havia sido ainda maior, alcançando 7,9% em receita.
O resultado reverte o cenário negativo registrado na semana de 28 de setembro a 4 de outubro. Naquele período, logo após o início das restrições, o volume vendido ainda amargava queda de 4,4%, antes de engatar a recuperação atual.
Queda nas transações financeiras confirma o diagnóstico
A relação entre a proibição das apostas e o aumento das compras de comida encontra respaldo em dados oficiais do Banco Central. A autoridade monetária registrou uma retração imediata de 10% no número de transações via Pix no país logo após o veto às bets.
Atualmente, esse índice de redução permanece em 7%. Para a Abras, essa retração representa bilhões de reais que deixaram de alimentar plataformas de azar e passaram a financiar a sobrevivência básica das famílias.
O impacto foi distribuído por todo o território nacional. A região Sul e o bloco formado por Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro lideraram as altas, ambas com avanço de 10,6% na primeira semana de outubro.
No Nordeste, as vendas subiram 6,5%, enquanto o interior de São Paulo registrou alta de 5,6%. Na Grande São Paulo, o indicador passou de 1,2% na primeira semana para 5,5% na segunda semana analisada, consolidando a recuperação em âmbito nacional.
A proliferação das plataformas de apostas online gerou uma crise social profunda nos lares brasileiros nos últimos anos, comprometendo a renda de famílias de baixa renda com o endividamento crônico. Diante da pressão de movimentos sociais e setores econômicos produtivos, o governo federal editou a Medida Provisória em setembro de 2026 para estancar a sangria financeira e devolver o foco do consumo para a economia real.