CEO do Airbnb crava: dois perfis de trabalhadores não sobreviverão à era da IA
Brian Chesky alerta que gestores puramente administrativos e profissionais resistentes à tecnologia perderão relevância no mercado de trabalho atual.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão Blue Studio, Exame, InfoMoney, StartSe, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Brian Chesky, cofundador e CEO do Airbnb, empresa avaliada em US$ 103 bilhões, emitiu um alerta direto ao mercado de trabalho global. Segundo o executivo, dois tipos de profissionais correm risco real de obsolescência com o avanço da inteligência artificial: os gestores que se limitam a coordenar pessoas e os trabalhadores que se recusam a adotar novas ferramentas tecnológicas.
A fala de Chesky ocorre em um momento de incerteza sobre o futuro das profissões. Enquanto líderes da Microsoft projetam substituições em massa em até 18 meses, o CEO do Airbnb defende que a tecnologia não é a vilã, mas sim a falta de adaptação. Ele argumenta que o papel do gestor precisa mudar radicalmente para manter sua utilidade dentro das corporações.
O fim do gestor de gabinete
Para Chesky, o modelo tradicional de gestão, focado apenas em reuniões e no acompanhamento terapêutico da equipe, está com os dias contados. Ele afirma que o futuro pertence ao "gestor híbrido" ou "gestor-contribuidor". Esse profissional é aquele que mantém conexão direta com o produto final e domina as ferramentas técnicas do dia a dia.
O executivo cita Jony Ive, ex-diretor de design da Apple, como o padrão a ser seguido. A lógica é simples: construir relacionamentos é importante, mas supervisionar pessoas sem entender o trabalho técnico será insuficiente. O gestor do futuro precisará gerenciar pessoas por meio do próprio trabalho, participando ativamente da execução.
Essa mudança de paradigma encontra resistência nas estruturas corporativas atuais. Levantamentos recentes mostram que, embora a IA esteja no topo das prioridades, apenas 3% das empresas brasileiras conseguiram transformar a tecnologia em vantagem competitiva ou nova receita. O problema, segundo especialistas, é que a decisão sobre IA subiu para a diretoria, mas o repertório técnico dos líderes não acompanhou essa transição.
A armadilha da produtividade
A promessa de que a IA pouparia tempo para tarefas nobres também enfrenta um choque de realidade. Estudos indicam que 84% dos profissionais que utilizam IA economizam tempo, mas esse ganho não se traduz em menos carga de trabalho. Pelo contrário, a agenda dos trabalhadores está ficando mais cheia.
Dados coletados com 6 mil profissionais mostram que 57% dos usuários intensivos de IA passaram a dedicar mais horas a tarefas administrativas e de coordenação. Como produzir conteúdo ficou barato e rápido, o volume de material circulando nas empresas explodiu. Isso gera uma demanda crescente por revisão, alinhamento e novas reuniões, anulando a economia de tempo inicial.
O executivo que não entende a tecnologia acaba refém de fornecedores. Sem conhecimento técnico, o gestor aprova orçamentos baseados apenas em demonstrações superficiais. A recomendação é clara: o líder precisa ter repertório para questionar custos, entender a integração dos sistemas e saber o que deve ser mantido dentro de casa para não abdicar do controle estratégico.
Adaptação como sobrevivência
Chesky reforça que qualquer funcionário que tente ignorar a IA terá dificuldades. A ferramenta não substitui o humano, mas o humano que domina a IA substitui aquele que não domina. A mentalidade de crescimento, ou seja, a disposição constante para aprender, torna-se o principal ativo do trabalhador.
A transição exige que as empresas parem de tratar a IA como um assunto exclusivo da TI. Quando a tecnologia passa a influenciar preços, crédito, contratos e atendimento, ela se torna uma questão de sobrevivência do próprio negócio. Quem não se adaptar, tanto na liderança quanto na base, corre o risco de ser substituído por colegas mais ágeis e conectados com a nova realidade digital.
O debate sobre a automação do trabalho ganhou força após a popularização da IA generativa entre 2023 e 2025. O cenário atual é marcado por uma transição onde empresas buscam eficiência operacional em meio a um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Historicamente, a tecnologia sempre transformou profissões, mas a velocidade da IA atual impõe um desafio de requalificação sem precedentes para a classe trabalhadora e para a alta gestão corporativa.