Listas de boicote a comércios de petistas espalham medo e geram reação jurídica em Goiás e São Paulo

Empresários relatam prejuízos e ameaças após circulação de listas de boicote político. Casos chegam à Polícia Civil, Ministério Público e esferas federais.

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Listas de boicote a comércios de petistas espalham medo e geram reação jurídica em Goiás e São Paulo
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles). Novos desdobramentos a qualquer momento.

Uma onda de perseguição econômica contra pequenos e médios empresários tomou conta de Goiás e de diversas cidades do interior paulista nos últimos dias. Listas contendo nomes de estabelecimentos e de seus proprietários, supostamente ligados ao PT, circulam em grupos de mensagens e redes sociais com o objetivo declarado de promover boicotes. O clima de intimidação já resultou em cancelamentos de contratos, queda no faturamento e registros de ocorrência em delegacias de polícia.

Em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, uma vítima procurou a Polícia Civil após ter seu negócio incluído em uma dessas listas. A comerciante afirmou às autoridades que nunca manifestou publicamente qualquer preferência partidária, mas ainda assim sofreu ataques digitais que incentivavam a população a não consumir seus produtos. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também entrou no radar do conflito, somando cerca de 80 denúncias de assédio eleitoral nas regiões de Prudente e Bauru desde o fim do segundo turno.

O impacto financeiro e a resposta jurídica

A estratégia de boicote organizado gera prejuízos imediatos. Em Santos, uma lista chegou a reunir 33 empresas. Empreendedores relatam a rescisão repentina de contratos de prestação de serviços e a perda massiva de seguidores em redes sociais, ferramentas essenciais para a sobrevivência comercial hoje. Uma empresária, que preferiu não se identificar por medo de novas retaliações, registrou a perda de 2 mil seguidores e o cancelamento de três contratos em um curto intervalo de tempo.

A advogada Laura Crisóstomo explica que a lei protege a liberdade de escolha do consumidor, mas pune a perseguição organizada. Segundo a especialista, o boicote individual é um direito, mas a mobilização com o intuito de discriminar e prejudicar o sustento de alguém pode configurar ilícito civil. O Código Civil, nos artigos 186, 187 e 927, prevê a obrigação de reparar danos quando há abuso de direito ou ato ilícito. Isso significa que, na prática, os responsáveis pela divulgação das listas podem ser condenados a pagar indenizações por danos morais e lucros cessantes, ou seja, o dinheiro que a empresa deixou de ganhar por causa da perseguição.

A advogada Hanna Gois reforça que a situação é grave e envolve o choque entre direitos fundamentais. Ela aponta que, dependendo da forma como a lista é divulgada, pode haver crimes contra a honra, como calúnia ou difamação. As vítimas estão sendo orientadas a preservar provas, como prints e registros de mensagens, para fundamentar pedidos de tutela de urgência, que são decisões rápidas da Justiça para retirar conteúdos do ar antes mesmo do fim do processo.

Delegacias registram aumento de denúncias por perseguição política e ameaças a comerciantes.
Delegacias registram aumento de denúncias por perseguição política e ameaças a comerciantes. (Foto: Arquivo Gazeta)

A escalada para as autoridades federais

O alcance das listas superou o âmbito local e chegou aos gabinetes em Brasília. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) foram acionadas para investigar a origem e a coordenação desses grupos. O objetivo é identificar se existe uma estrutura organizada por trás da disseminação dessas listas, o que poderia configurar crimes contra a ordem econômica e o Estado Democrático de Direito.

O Partido dos Trabalhadores também iniciou uma ofensiva jurídica, orientando seus filiados e apoiadores a registrarem boletins de ocorrência. Em São Paulo, lideranças partidárias têm mantido contato com promotores de Justiça para garantir que a repressão a esses atos seja rigorosa. A preocupação central é que a intolerância política se transforme em um padrão de exclusão social e econômica, afetando a economia local e o direito ao trabalho de milhares de cidadãos.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

O fenômeno do boicote político ganhou força após a polarização acentuada das eleições de 2026. Historicamente, o uso de listas de exclusão econômica é uma tática de intimidação que fere a liberdade de mercado e o direito ao trabalho. O Judiciário brasileiro tem enfrentado desafios crescentes para equilibrar a liberdade de expressão com a proteção contra discursos de ódio e perseguições que buscam inviabilizar a subsistência de opositores políticos.