Em depoimento à Polícia Federal, Daniel Vorcaro nega fraude no BRB e diz estar disposto a falar tudo
Ex-dono do Banco Master foi indiciado por organização criminosa em esquema de R$ 17,5 bilhões em créditos vendidos ao banco público.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, O GLOBO, Poder360, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que está disposto a falar sobre todas as suas relações e investigações, mas exigiu o arquivamento imediato do caso envolvendo a negociação de créditos com o BRB (Banco de Brasília). Durante o depoimento prestado no último dia 15 de setembro, que teve duração de duas horas e vinte e sete minutos, o antigo dono do Banco Master negou qualquer irregularidade na operação financeira e sustentou que o banco público não sofreu prejuízos.
Apesar da defesa categórica do banqueiro, que está preso preventivamente desde março deste ano, a Polícia Federal indiciou Vorcaro e outras 13 pessoas. Os investigadores apontam o ex-executivo como líder de uma organização criminosa que atuava em esquema de gestão fraudulenta, induzimento de órgãos de fiscalização ao erro e lavagem de dinheiro. O volume total das transações sob suspeita atinge a marca de R$ 17,5 bilhões em créditos vendidos pelo Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025.
O embate sobre os créditos podres e o rombo nas contas
O ponto central do confronto entre a defesa de Vorcaro e os investigadores diz respeito à qualidade dos papéis negociados. Segundo o relatório parcial entregue pela Polícia Federal ao ministro André Mendonça, R$ 12,2 bilhões do total transacionado eram formados por créditos podres, ou seja, ativos sem comprovação real de existência. Os federais apontam que o ex-banqueiro utilizou carteiras de empresas como a Tirreno para maquiar o rombo financeiro.
Questionado pela delegada responsável pela oitiva, Vorcaro alegou que não sabia que a carteira da Tirreno era falsa e que tentou substituir os ativos para solucionar o problema. Os investigadores, contudo, rebateram a tese ao destacar que a troca funcionou apenas como manobra para legitimar a fraude. A delegada apontou ainda que fundos de grandes bancos demonstraram desinteresse nos papéis oferecidos, questionando o valor real da garantia. Apenas o BTG Pactual comprou carteiras no mercado, mas recusou os ativos do Master.
A versão do banqueiro colide abertamente com os números oficiais do próprio banco público. O BRB já reconheceu contabilmente uma perda de R$ 2,7 bilhões nas operações. Para recompor o patrimônio corroído, os acionistas aprovaram em abril um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. Relatórios internos do Banco Central indicam que o estrago financeiro pode ser ainda maior, alcançando a cifra de R$ 11,4 bilhões. Desde o segundo trimestre de 2025, a instituição financeira estatal evita divulgar resultados oficiais.
Ataques à investigação e pressão sobre o sistema financeiro
Durante o interrogatório, Vorcaro adotou tom de confronto contra os investigadores e afirmou ser vítima de perseguição sistemática. O ex-banqueiro declarou que um agente o persegue há seis anos e teria criado uma fantasia sobre a fraude de R$ 12 bilhões para justificar sua prisão preventiva. Para sustentar a inocência, ele desafiou os órgãos de controle a contratarem uma auditoria internacional e independente para inspecionar os ativos negociados com o BRB.
O ex-dono do Master também tentou culpar as investigações pela crise de liquidez enfrentada pelo banco público de Brasília. Segundo o depoimento, a decretação da liquidação do Banco Master provocou uma corrida bancária que resultou na retirada de R$ 9 bilhões das contas do BRB. Para o banqueiro, o rombo atual decorre do pânico gerado pela publicidade do caso e pela atuação da polícia, e não de sua gestão.
Ao encerrar a oitiva, Vorcaro mencionou seu aparelho celular como instrumento de prova e chamou o dispositivo de bênção e maldição. Ele afirmou que todos os negócios de mineração, turismo e carteiras de crédito estavam registrados no telefone apreendido. A defesa do banqueiro tenta anular provas e questiona a integridade dos arquivos digitais, embora laudos apresentados ao Supremo Tribunal Federal apontem que não há evidências técnicas de manipulação humana nos diálogos recuperados.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para desarticular um esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro nacional envolvendo o Banco Master e instituições públicas como o BRB. O caso gerou forte instabilidade no mercado de crédito e exigiu aportes bilionários de acionistas para evitar a quebra definitiva do banco do governo do Distrito Federal, resultando na prisão de executivos e em investigações que avançam sobre o controle de ativos fictícios.