"Não gostei", diz Valdemar Costa Neto sobre carta de teor golpista de Flávio Bolsonaro
Presidente do PL visitou Jair Bolsonaro em prisão domiciliar após o senador Flávio Bolsonaro publicar carta questionando o resultado das eleições de 2026.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, Metrópoles, O GLOBO, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (28) que reprovou a carta de teor golpista divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro. A declaração ocorreu na chegada de Valdemar ao condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, sob autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao ser questionado por jornalistas sobre o documento, o dirigente partidário foi direto: "Não gostei". Valdemar evitou dar detalhes sobre o conteúdo da conversa, mas ressaltou que levaria ao ex-presidente "muitas novidades" sobre a atual situação política do país. O encontro marca uma tentativa de reorganização do PL após a derrota eleitoral.
Descompasso entre a cúpula do PL e o senador
A carta de Flávio Bolsonaro gerou um racha imediato dentro do partido. No texto, o senador se autointitulou "verdadeiro presidente eleito do Brasil" e manteve acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas. Minutos após a publicação original, ele editou o conteúdo para se definir como "líder" do país e removeu o brasão histórico com a inscrição "Estados Unidos do Brazil".
A postura de Flávio contrasta com a nota oficial emitida pela direção do PL logo após o segundo turno. Na ocasião, Valdemar Costa Neto reconheceu o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, também afirmou que a cúpula do partido não foi informada sobre a saída de Flávio do país ou sobre a divulgação da carta.
O resultado oficial das eleições de 2026 aponta a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva com 64,2 milhões de votos, o que representa 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 59,8 milhões de votos, totalizando 48,21%. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reafirmou que o pleito transcorreu dentro da normalidade constitucional, rebatendo as alegações golpistas.
Restrições judiciais e o isolamento do ex-presidente
A visita de Valdemar Costa Neto ao ex-presidente Jair Bolsonaro seguiu um protocolo rigoroso determinado pelo STF. O dirigente do PL chegou ao local por volta das 9h. A decisão judicial impõe que o imóvel passe por vistoria prévia e que aparelhos eletrônicos, como celulares, fiquem sob custódia da Polícia Militar do Distrito Federal durante o encontro.
A situação de Bolsonaro é delicada. Ministros do STF avaliam como improvável a reversão da condenação que o mantém em prisão domiciliar. A estratégia de defesa, baseada em uma ação de revisão criminal (um pedido para reavaliar uma condenação definitiva que não cabe mais recurso), enfrenta resistência na Corte. A maioria dos magistrados entende que não há elementos para anular a pena imposta ao ex-presidente.
Enquanto o PL tenta alinhar seu discurso, o governo federal monitora os impactos da instabilidade política. O Ministério da Justiça registrou 45 vítimas de violência política no país desde o segundo turno, incluindo dez assassinatos. A cúpula do PL convocou reuniões com dirigentes estaduais para conter a crise interna e definir os rumos da oposição ao governo Lula a partir do exterior, conforme sugerido por Flávio.
O cenário político atual é marcado pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e pela fuga de Flávio Bolsonaro para o exterior logo após a derrota eleitoral. A crise interna no PL reflete a tentativa do partido de se descolar de narrativas golpistas para manter sua viabilidade institucional enquanto enfrenta a pressão do Judiciário e a instabilidade social decorrente do período eleitoral.