União e PP fecham apoio à reeleição de Alcolumbre e barram planos de Tereza Cristina
Cúpula partidária prioriza permanência de Davi Alcolumbre no Senado; articulação inclui promessa de indulto a Bolsonaro para atrair votos da direita.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Os partidos União Brasil e Progressistas (PP) selaram um acordo estratégico nesta segunda-feira (26). As legendas decidiram apoiar a candidatura de Davi Alcolumbre (União-AP) à reeleição para a presidência do Senado. A decisão isola a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que buscava viabilizar sua candidatura com foco no impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Alcolumbre mantém uma postura contrária ao afastamento de magistrados da corte. Para garantir os votos da nova bancada de direita, ele aposta em uma agenda de pacificação nacional. O plano envolve dialogar com o governo Lula (PT) sobre a concessão de um indulto humanitário a Jair Bolsonaro. O ex-presidente está preso desde agosto de 2025, condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
Articulação política e o perdão judicial
O senador Otto Alencar (PSD-BA), futuro presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), confirmou conversas com Alcolumbre sobre o tema. A CCJ é o colegiado responsável por analisar a viabilidade jurídica de projetos de anistia antes de qualquer votação no plenário. Otto Alencar defende que o perdão não seja exclusivo ao ex-presidente, mas estendido a todos os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
O parlamentar baiano minimizou o foco em Bolsonaro durante as tratativas. Ele argumenta que o projeto visa beneficiar pessoas com penas consideradas excessivas por suas defesas. O objetivo central de Alcolumbre é usar essa pauta como moeda de troca para consolidar sua permanência no comando da Casa por mais dois anos. O senador busca evitar o desgaste de um processo de impeachment, preferindo uma saída política que envolva os três Poderes.
O isolamento da ala bolsonarista
A candidatura de Tereza Cristina perdeu força após o anúncio da aliança entre União e PP. A senadora defendia uma pauta mais radical, focada no embate direto com o STF e no afastamento do ministro Alexandre de Moraes. Com o apoio das duas siglas, Alcolumbre neutraliza a pressão da oposição mais aguerrida. O movimento força os parlamentares de direita a escolherem entre o isolamento ou a adesão ao projeto de pacificação proposto pelo atual presidente do Senado.
A situação de Flávio Bolsonaro, que deixou o país após a derrota eleitoral, também pesa nos bastidores. A ausência de uma liderança unificada na oposição facilitou a costura de Alcolumbre. O senador também estuda apresentar uma proposta alternativa à anistia total. O texto deve focar na redução de penas para os executores da tentativa de golpe, buscando um meio-termo que agrade tanto a direita quanto o Palácio do Planalto.
Quem paga a conta dessa articulação é a estabilidade institucional, posta em xeque por negociações que visam o perdão de crimes contra o Estado Democrático. Alcolumbre tenta equilibrar a governabilidade com a necessidade de manter o apoio de um Senado cada vez mais conservador. A decisão final sobre a pauta de anistia deve ocorrer nas primeiras sessões de fevereiro, quando a nova composição da casa assume oficialmente.
O Senado vive uma disputa intensa desde a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe em 2025. A polarização entre a ala que exige o impeachment de ministros do STF e os defensores da estabilidade institucional tem travado pautas econômicas. A reeleição de Alcolumbre é vista como uma tentativa de evitar que o Legislativo se torne um palco permanente de conflito com o Judiciário.