Polícia Federal prende presidente do Tribunal de Contas de MT sob suspeita de desviar R$ 15 mi

Operação da PF cumpre prisões e bloqueia R$ 145 milhões em bens após descobrir folha de pagamento paralela no TCE-MT.

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Polícia Federal prende presidente do Tribunal de Contas de MT sob suspeita de desviar R$ 15 mi
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Consultor Jurídico, Folha de S.Paulo, G1, JOTA Info, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte nesta quarta-feira (29) e prendeu o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Sérgio Ricardo de Almeida, apontado como chefe de um esquema de corrupção. A ação, autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, cumpre seis mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão. Os mandados ocorrem nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

As investigações revelaram a existência de uma folha de pagamento paralela no órgão de controle externo. Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, o esquema movimentou mais de R$ 75 milhões em repasses suspeitos. Apenas o presidente da corte teria recebido mais de R$ 15 milhões em dez meses, segundo os dados levantados pelos investigadores da Polícia Federal.

Esquema de pressão e folha paralela

O inquérito policial começou após uma denúncia anônima detalhar irregularidades na gestão de contratos com fornecedores do tribunal e no pagamento a servidores públicos. Os investigados utilizavam a suspensão de contratos administrativos como mecanismo de pressão sobre empresas fornecedoras. Na prática, a paralisação forçada servia para cobrar propina e garantir tratamento diferenciado na liberação de recursos públicos.

Durante as buscas nos gabinetes do Tribunal de Contas, os agentes federais encontraram dezenas de garrafas de uísque e vinho. A equipe também apreendeu caixas repletas de dinheiro vivo, carros esportivos e relógios de luxo. A investigação identificou saques frequentes em espécie e movimentações financeiras atípicas destinadas a conselheiros e funcionários da corte.

Além do presidente Sérgio Ricardo de Almeida, a Justiça determinou a prisão do procurador Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e de outros quatro servidores do tribunal. Ao todo, 15 pessoas, entre conselheiros e servidores, foram afastadas de suas funções públicas por ordem do Superior Tribunal de Justiça. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 145 milhões em bens dos investigados para garantir a devolução dos recursos desviados.

Agentes da Polícia Federal durante cumprimento de mandados em operação contra desvios de recursos públicos.
Agentes da Polícia Federal durante cumprimento de mandados em operação contra desvios de recursos públicos. (Foto: Agência Brasil)

Contas públicas sob suspeita

O impacto financeiro das irregularidades investigadas ultrapassa o escopo inicial da folha paralela. Levantamentos jurídicos apontam que pagamentos por fora e contratos sob suspeita movimentaram cerca de R$ 736 milhões no âmbito do tribunal estadual. A cifra astronômica demonstra o grau de aparelhamento e desvio de finalidade nas contas públicas que deveriam fiscalizar o uso do dinheiro do contribuinte.

A defesa de Sérgio Ricardo de Almeida informou que não vai se manifestar sobre as prisões e as acusações neste momento inicial. A operação segue em andamento com o cumprimento de medidas de afastamento de sigilos bancários e fiscais, além do sequestro de bens móveis e imóveis ligados aos suspeitos.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Tribunais de Contas estaduais têm sido alvo frequente de investigações da Polícia Federal devido ao controle sobre contratos bilionários de prefeituras e governos estaduais. O caso de Mato Grosso expõe a fragilidade dos mecanismos internos de controle e fiscalização de gastos públicos por órgãos que deveriam dar exemplo de probidade administrativa ao conjunto da sociedade.