Pequenos empresários reagem a listas de boicote após vitória de Lula
Comércios de todo o país denunciam perseguição política e ameaças após circulação de listas de boicote a supostos apoiadores do presidente eleito.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Campo Grande News, Folha de S.Paulo, GZH, Imirante.com, Pequenas Empresas & Grandes Negócios). Novos desdobramentos a qualquer momento.
Pequenas e médias empresas de diversas regiões do Brasil enfrentam uma onda de ataques digitais após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25/10). Grupos de apoiadores do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), organizam listas de boicote contra estabelecimentos acusados de apoiar o petista.
A prática, que circula em grupos de WhatsApp e redes sociais, visa prejudicar a reputação e o faturamento de comércios locais. Em resposta, empresários buscam proteção jurídica e reforçam a necessidade de separar o atendimento ao público das convicções políticas pessoais.
Ataques à reputação e medidas judiciais
A loja Lili Modas Plus Size, localizada em João Monlevade (MG), tornou-se um dos alvos recentes. O estabelecimento emitiu uma nota pública repudiando a tentativa de boicote e defendendo a liberdade de opinião. A empresa afirmou que já reuniu prints de conversas e informações sobre os autores das listas para futuras ações legais.
O proprietário da Dex Lanches adotou postura semelhante. Ele ressaltou que o negócio, construído ao longo de nove anos, atende clientes de todas as correntes políticas. O empresário pediu, contudo, que os clientes evitem o local temporariamente para garantir a segurança dos frequentadores enquanto o clima de tensão não diminui.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) também entrou no radar do conflito. Em Mato Grosso do Sul, funcionários do Grupo Valebrum, franqueado de O Boticário, denunciaram a empresa após a circulação de vídeos da empresária Helenita Brum. Nas gravações, ela critica eleitores do PT e beneficiários de programas sociais, afirmando que não pretende auxiliar pessoas ligadas ao partido do presidente reeleito.
O impacto do assédio eleitoral
A denúncia ao MPT envolve também a gerente de Gente & Gestão do grupo, Maria José de Oliveira Rotta. Funcionários relataram medo de represálias e demissões motivadas por perseguição política. O Grupo Boticário repudiou as declarações, afirmando que as falas não representam os valores da marca.
O movimento de boicote não se restringe a casos isolados. A Folha de S.Paulo apurou que existe um movimento organizado, intitulado "Demita um petista", que incentiva patrões a desligar funcionários com base em suas escolhas nas urnas. A prática, na linguagem jurídica, configura assédio eleitoral, ou seja, a coação ou ameaça de perda de emprego para influenciar o voto ou punir o trabalhador por sua preferência política.
Em São Luís, no Maranhão, o portal Imirante.com classificou a circulação das listas como uma forma de perseguição que deve ser responsabilizada pelos órgãos competentes. No Rio Grande do Sul, o jornal GZH destacou que o fenômeno atesta um nível preocupante de intolerância no ambiente comercial e social do estado.
O cenário de polarização extrema no Brasil atingiu o varejo após o pleito de 2026. A prática de boicotes a empresas por motivação ideológica reflete o acirramento das disputas eleitorais, que migraram das esferas institucionais para a economia real, ameaçando a estabilidade de pequenos negócios e o direito ao trabalho.