PF investiga desvio de R$ 121 milhões no Instituto de Previdência de São Roque

Operação Entressafras apura fraudes em investimentos previdenciários entre 2022 e 2024; bens dos envolvidos foram bloqueados pela Justiça.

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PF investiga desvio de R$ 121 milhões no Instituto de Previdência de São Roque
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, G1, Metrópoles, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

A Polícia Federal deflagrou hoje a Operação Entressafras para investigar um rombo milionário no Instituto de Previdência de São Roque, o São Roque Prev. A ação apura o desvio de R$ 121 milhões em recursos destinados à aposentadoria dos servidores municipais. Os crimes teriam ocorrido entre 2022 e 2024, período marcado por decisões de investimento sem qualquer critério técnico ou segurança financeira.

Agentes federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e Pernambuco. A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados para tentar recuperar o prejuízo causado aos cofres públicos. A investigação aponta que o dinheiro foi aplicado em ativos de alto risco sem a devida análise de mercado ou diversificação de portfólio, prática que coloca em xeque a sobrevivência do instituto.

A mecânica da fraude nos investimentos

O esquema consistia na aplicação de R$ 80 milhões em Letras Financeiras e R$ 20 milhões em um Fundo de Investimento Imobiliário. Letras Financeiras são títulos de renda fixa emitidos por bancos para captar recursos de longo prazo. No caso, a escolha dos emissores ocorreu de forma direcionada, ignorando riscos evidentes e sem fundamentação técnica adequada.

Pareceres técnicos genéricos serviram de base para as operações. Os gestores ignoraram processos administrativos sancionadores contra as instituições financeiras envolvidas. A Polícia Federal afirma que a decisão de onde investir era tomada antes mesmo de qualquer avaliação de risco. O Banco Master, fundado por Daniel Vorcaro, recebeu mais de R$ 93 milhões do montante total, valor que permanece sem recuperação até o momento.

Os envolvidos podem responder por gestão fraudulenta, peculato financeiro — que é o desvio de dinheiro público por quem tem o dever de zelar por ele —, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. A operação busca agora identificar se houve o recebimento de propinas ou vantagens indevidas para que o dinheiro dos servidores fosse direcionado a esses ativos específicos.

Sede do São Roque Prev, alvo de investigação da PF por desvios milionários.
Sede do São Roque Prev, alvo de investigação da PF por desvios milionários. (Foto: Gazeta Estrela Vermelha)

Condenações e o impacto no bolso do servidor

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) já havia identificado irregularidades nas contas de 2024 do São Roque Prev. Em outubro de 2026, a conselheira substituta Silvia Monteiro condenou o ex-diretor presidente Vanderlei Massarioli a ressarcir R$ 93,15 milhões aos cofres do instituto. A decisão reconheceu que a gestão foi temerária e causou prejuízo direto ao patrimônio previdenciário.

O São Roque Prev informou que cumpre as determinações judiciais e que o prejuízo foi incluído nos cálculos atuariais, ou seja, nas projeções matemáticas que definem quanto o município precisa arrecadar para garantir o pagamento das futuras aposentadorias. Na prática, o rombo causado pela má gestão pode exigir aportes extras da prefeitura ou até o aumento da alíquota de contribuição dos servidores para cobrir o déficit.

O instituto afirma ter adotado medidas de controle após o escândalo, incluindo capacitação de gestores e análises rigorosas para novas aplicações. Contudo, o dinheiro investido no Banco Master segue bloqueado ou perdido, sem perspectiva de retorno imediato. O processo para apurar a responsabilidade de outros gestores e conselheiros continua em análise jurídica interna.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A crise no São Roque Prev ganhou contornos políticos em julho de 2026, quando uma CPI na Câmara Municipal concluiu haver irregularidades graves nas operações financeiras. O caso foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que agora atua em conjunto com a Polícia Federal. O episódio reflete a fragilidade da fiscalização em institutos de previdência municipais, que frequentemente se tornam alvos de esquemas envolvendo o mercado financeiro e a gestão temerária de recursos públicos.