PF deflagra 9ª fase da Operação Unha e Carne contra lavagem de dinheiro no Rio
Polícia Federal cumpre quatro mandados de busca e apreensão na Zona Sudoeste do Rio; Márcio Poncio e Bernardo Loyola estão entre os alvos da investigação.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, Estadão, G1, Governo Federal, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira a 9ª fase da Operação Unha e Carne. O objetivo é desarticular uma rede criminosa voltada à lavagem de dinheiro e ocultação de bens no Rio de Janeiro. Agentes cumprem quatro mandados de busca e apreensão em endereços da Zona Sudoeste da capital fluminense, especificamente na Barra da Tijuca.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos da ação estão o empresário Márcio Poncio e Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. A investigação aponta que o grupo utilizava estruturas complexas para esconder patrimônio de origem ilícita.
Rede de ocultação de patrimônio
As apurações revelaram a existência de uma rede patrimonial sofisticada. Ela é composta por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas e veículos de luxo. A Polícia Federal identificou que esses bens eram registrados em nome de familiares, colaboradores próximos e terceiros. Formalmente, essas pessoas não possuíam vínculo com o núcleo investigado, mas seguiam ordens diretas da organização.
A estratégia de ocultação incluía o uso de empresas nacionais e estrangeiras. Algumas dessas firmas estavam sediadas em jurisdições de tributação favorecida, os chamados paraísos fiscais, onde o controle sobre a origem do dinheiro é reduzido. O grupo também recorria a entidades religiosas e holdings patrimoniais para desvincular a titularidade de bens valiosos. A prática visa dificultar o rastreamento dos ativos pelas autoridades fiscais e judiciais.
Os policiais federais vasculharam salas comerciais que serviam como base administrativa do grupo. Também foi alvo de busca um imóvel residencial vinculado a Bernardo Loyola. A PF aponta Loyola como um dos principais operadores do esquema. A apreensão de documentos, dispositivos eletrônicos e registros contábeis é a prioridade da operação para fortalecer as provas contra os envolvidos.
Origem das investigações e uso de dinheiro vivo
Esta nova fase da operação decorre da análise de dados extraídos de um aparelho celular apreendido durante a 5ª etapa da Unha e Carne. Naquela ocasião, as autoridades cumpriram um mandado de prisão contra Adilsinho. As informações contidas no dispositivo permitiram aos investigadores mapear novos endereços e ativos que não haviam sido detectados anteriormente.
A investigação constatou o uso recorrente de dinheiro em espécie nas transações do grupo. Essa prática é comum em esquemas de lavagem de dinheiro para evitar o registro no sistema bancário oficial. Além disso, as movimentações financeiras apresentavam falta de rastreabilidade compatível com a renda declarada pelos envolvidos. Na prática, isso significa que o dinheiro circulava sem que fosse possível identificar a origem lícita dos valores.
A operação busca agora consolidar o bloqueio desses ativos e identificar todos os envolvidos na estrutura. O trabalho da Polícia Federal foca em desmantelar a capacidade financeira da organização. A Justiça deve avaliar os novos elementos colhidos para determinar se haverá pedidos de prisão ou novas medidas cautelares, que são ordens judiciais para evitar que os suspeitos destruam provas ou fujam.
A Operação Unha e Carne investiga há anos as conexões entre o jogo do bicho e esquemas de lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro. A 5ª fase, deflagrada anteriormente, foi um marco ao prender figuras centrais do esquema, expondo a influência de Adilsinho. O caso segue sob sigilo parcial no STF, refletindo o alto poder econômico e político dos investigados.