MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico e lavagem; pena pode chegar a 51 anos
Ministério Público aponta que empresa do influenciador simulou vendas de insumos químicos para o narcotráfico produzir toneladas de drogas.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, G1, GZH, InfoMoney). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O Ministério Público de São Paulo apresentou as alegações finais no processo contra o influenciador digital Renato Cariani. A promotoria pediu a condenação do empresário por associação para o tráfico de drogas, tráfico de insumos químicos e lavagem de dinheiro. O pedido aponta que a pena total pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, o réu responde ao processo em liberdade.
A manifestação do Ministério Público representa a última etapa antes da sentença definitiva do juiz. A acusação atinge também Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, apontados como participantes do esquema ilegal. O processo tramita na Justiça paulista e mobiliza autoridades de segurança pública e órgãos de controle financeiro.
Esquema fraudulento e desvio de insumos químicos
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a empresa Anidrol Produtos para Laboratórios simulou a venda de insumos químicos em 59 ocasiões distintas. A indústria química, sediada em Diadema, na Grande São Paulo, tinha Cariani e a empresária Roseli Dorth como sócios. O material desviado abastecia o narcotráfico para a produção de toneladas de entorpecentes, com destaque para crack e cocaína.
As investigações revelaram que o esquema funcionou entre os anos de 2014 e 2020. A empresa emitia notas fiscais fraudulentas simulando transações comerciais com multinacionais e grandes empresas farmacêuticas, entre elas a AstraZeneca. Durante a fase de instrução processual, a farmacêutica informou formalmente que jamais adquiriu produtos da empresa do influenciador, o que acionou o alerta das autoridades federais.
Os investigadores apontam que Fábio Spindola Mota atuava como o elo de ligação entre a indústria química e os compradores ilegais. Já Rodrigo Gomes Pereira exercia funções ligadas à movimentação e à circulação dos recursos financeiros obtidos de forma ilícita. A estimativa oficial indica que a empresa do influenciador lucrou ao menos R$ 3,7 milhões com a comercialização criminosa dos produtos químicos.
Mensagens e tentativa de subverter a fiscalização
As provas recolhidas ao longo da instrução incluem mensagens de texto obtidas no aparelho celular do influenciador. Os diálogos mostram a proximidade de Cariani com um policial civil e indicam que o empresário tinha pleno conhecimento do uso dos insumos no preparo de drogas. A promotoria detalhou episódios em que o réu burlou os protocolos oficiais de segurança.
Em um dos trechos destacados pela acusação, Cariani autorizou a retirada de produtos químicos fora do expediente comercial. O caso ocorreu em 26 de fevereiro de 2018, quando foram retirados 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína faturados originalmente para a AstraZeneca. O influenciador forneceu à Polícia Federal comprovantes falsificados de retirada, contendo placas de veículos e habilitações irregulares.
A denúncia também aponta que o empresário atuou diretamente para aproximar-se da força policial responsável pela fiscalização. O objetivo era induzir o arquivamento de investigações anteriores que ameaçavam o esquema de desvio de substâncias controladas. A defesa de Renato Cariani declarou que recebeu a manifestação do Ministério Público com naturalidade e informou que protocolará a resposta dentro do prazo legal de 30 dias.
O caso veio à tona em dezembro de 2023, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg para desarticular o esquema de desvio de insumos químicos para o tráfico. Em fevereiro de 2024, a Justiça aceitou a denúncia formal e transformou Renato Cariani em réu, abrindo caminho para a coleta de provas e depoimentos que culminaram no atual pedido de condenação feito pelo Ministério Público de São Paulo.