Malafaia critica viagem de Bolsonaro aos EUA em 2022 e diz que "um líder fica"
Declaração do pastor Silas Malafaia em documentário sobre a fuga de Bolsonaro para os EUA em 2022 ressurge com a saída de Flávio Bolsonaro.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Folha de S.Paulo, Metrópoles, O GLOBO, Poder360, Revista Fórum). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O pastor Silas Malafaia criticou duramente a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de fugir para os Estados Unidos no final de 2022, logo após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração veio à tona com o lançamento do documentário "Apocalipse nos Trópicos", dirigido pela cineasta Petra Costa, e ganha novo peso político após a recente fuga do senador Flávio Bolsonaro para o exterior.
No filme, Malafaia defende a tese de que figuras públicas devem enfrentar seus julgamentos no país. O líder religioso comparou a atitude de Bolsonaro com a postura adotada por Lula em 2018, quando o atual presidente se entregou à Polícia Federal após ter a prisão decretada pelo então juiz Sergio Moro.
A cobrança por coragem política e a comparação com Lula
Nas gravações que compõem o documentário, Malafaia relata sua discordância frontal com a partida do antigo aliado rumo à Flórida. "Eu não concordei que ele foi embora para a América. Um líder fica. Paga o preço. Vai para a cadeia ou não", afirmou o pastor na produção audiovisual.
O religioso reforçou o argumento citando o episódio em que Lula decidiu não escapar da prisão determinada pela Justiça Federal de Curitiba. "Tá aí o Lula: tudo estava indicando que ele ia para a cadeia. Ele fugiu? Não. Postura de um líder", declarou Malafaia na entrevista concedida para a equipe da diretora Petra Costa.
O pastor completou a crítica afirmando que a atitude correta diante da crise seria permanecer no território nacional para enfrentar as acusações. "Então, para mim, o cara sair correndo e ir para a América... Não concordei. Não vou concordar nunca. Fica aí e encara. Aguenta o pau", pontuou o líder evangélico.
A reviravolta e a defesa atual do pastor
O resgate da declaração ocorre em um momento em que a família Bolsonaro repete o roteiro de deslocamento para o exterior. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a apreensão de seu passaporte e proibi-lo de sair do país.
Diante da repercussão da fala exibida no documentário, Silas Malafaia procurou a imprensa para tentar amenizar o impacto de suas declarações passadas. O pastor argumentou que a opinião emitida durante as gravações não reflete o cenário político atual e atribuiu a responsabilidade pela perseguição judicial ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo o pastor, a situação mudou porque hoje existe a comprovação de que o ministro Alexandre de Moraes atua contra o clã Bolsonaro e contra todo o espectro da direita política. Malafaia classificou o magistrado como um agente político travestido de magistrado, alegando que a atuação do STF vilipendia a reputação da mais alta corte do país.
Enquanto a cúpula evangélica se divide entre justificativas para a nova fuga e defesas apaixonadas, o episódio evidencia rachaduras profundas na narrativa de bravura que os aliados do clã tentam sustentar perante sua base de apoio popular.
A viagem de Jair Bolsonaro para Orlando no final de 2022 marcou o início de um período de autoexílio que durou até março de 2023. Anos depois, investigações conduzidas pela Polícia Federal apontaram o envolvimento do ex-presidente em articulações golpistas, culminando em sua condenação e prisão definitiva em 2025.