Lula avalia visitar o Piauí para pedir ao povo liberação de Rafael Fonteles para a Fazenda
Presidente estuda repetir gesto de 2002 para convencer piauienses a liberar governador recém-eleito para a equipe econômica.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil 247, CNN Brasil, GZH, Terra, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia realizar uma viagem oficial ao Piauí para conversar diretamente com a população e pedir a liberação do governador Rafael Fonteles para assumir o Ministério da Fazenda. Aliados do Palácio do Planalto defendem que o chefe do Executivo federal faça uma deferência aos eleitores piauienses antes de oficializar o convite para a equipe ministerial de alcance nacional.
A discussão ganhou força nos bastidores da capital federal após a vitória eleitoral e a repercussão de nomes cotados para suceder a gestão econômica do país. Rafael Fonteles, que é matemático de formação e possui boa receptividade junto ao mercado financeiro, despontou como o principal favorito para comandar a pasta fiscal e orçamentária do governo federal.
A estratégia política inspirada no precedente de 2002
A iniciativa considerada pelo presidente tem como base um episódio histórico ocorrido durante a transição para seu primeiro mandato, em novembro de 2002. Naquela ocasião, Lula viajou até o município de Ribeirão Preto, no interior paulista, para comunicar publicamente à população que precisava contar com Antonio Palocci em sua equipe ministerial.
O gesto político antecedeu a renúncia de Palocci ao cargo de prefeito para assumir o Ministério da Fazenda em janeiro de 2003. A equipe presidencial avalia que uma visita ao Piauí teria significado semelhante, reconhecendo o mandato recebido nas urnas e apresentando a transferência para Brasília como parte de um projeto de interesse nacional.
Apesar da semelhança tática, a situação atual apresenta um contraste institucional relevante em relação ao episódio passado. Enquanto Palocci administrava uma prefeitura municipal, Fonteles governa um estado inteiro e acaba de conquistar a reeleição no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, o que representou o maior percentual de votação do país.
A reação do governador e o impacto institucional no Piauí
Diante da repercussão nos círculos políticos, o governador Rafael Fonteles negou publicamente ter mantido tratativas com o presidente ou com terceiros sobre cargos em Brasília. O chefe do Executivo estadual afirmou que nunca conversou sobre funções no próximo governo ou sobre diretrizes de política econômica.
"Reforço o que disse em algumas entrevistas: nunca tratei com o Presidente Lula ou com qualquer outra pessoa sobre cargos no seu próximo mandato e muito menos sobre política econômica", declarou o governador por meio de publicação oficial. Fonteles também acrescentou que não possui informações sobre uma eventual viagem presidencial ao território piauiense.
Especialistas em direito eleitoral apontam que, caso o governador aceite o convite e assuma a Fazenda sem tomar posse no governo estadual, o fato configurará um precedente inédito na história republicana brasileira em mais de um século. A decisão final depende exclusivamente de formalizações que seguem em análise pelo Palácio do Planalto.
Rafael Fonteles ganhou projeção nacional ao coordenar a estratégia de comunicação da vitoriosa campanha presidencial após o primeiro turno. O nome do governador nordestino ganhou força unânime entre lideranças petistas e agentes econômicos devido à sua sólida formação em matemática e ao expressivo respaldo popular obtido nas urnas piauienses.