Governo registra 10 mortes de eleitores de Lula e apura onda de violência política
Ministério da Justiça contabiliza 45 casos de agressões após eleição e cobra punição rigorosa para crimes contra apoiadores do petista.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil de Fato, Estadão, Partido dos Trabalhadores, Poder360, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O Ministério da Justiça divulgou nesta quarta-feira (28) um balanço oficial que aponta dez mortes de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o segundo turno das eleições de 2026. A gestão federal reuniu os dados em entrevista coletiva em Brasília e atribuiu as agressões a apoiadores do candidato derrotado Flávio Bolsonaro. Os crimes ocorreram entre o domingo de votação (25) e a terça-feira (27), período marcado por confrontos e ataques em várias regiões do país.
A apuração oficial contabiliza 45 casos gerais de violência política contra apoiadores do governo eleito. Desse total de vítimas fatais, três são pessoas indígenas. O ministério informou que nenhum registro de violência praticada por eleitores petistas contra o grupo derrotado chegou aos canais oficiais da pasta. Os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior volume de ocorrências, listados nessa ordem pelos órgãos de segurança.
Escalada de ódio e ataques em vários estados
O ministro Guilherme Boulos afirmou durante a coletiva que os episódios representam uma reação violenta ao resultado das urnas. Segundo ele, as ocorrências mostram uma prática de barbárie que fere os princípios fundamentais da democracia brasileira. A maior parte das agressões concentrou-se entre a noite de domingo e a segunda-feira (26), pegando de surpresa famílias e militantes que comemoravam a vitória nas ruas.
Relatos de vítimas ilustram o nível de hostilidade registrado no período eleitoral. Em Cerqueira César, no interior paulista, a irmã de Mateus Siqueira, presidente municipal do PT, sofreu queimaduras graves, teve o tímpano rompido e perdeu parte da audição. Ela foi atingida por um rojão lançado por apoiadores da oposição durante uma carreata festiva na praça central da cidade. Em Montes Claros, Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel foi ferida no rosto após o carro de som em que estava ser atingido por pedras, tijolos e garrafas de vidro arremessadas por militantes do Partido Liberal na véspera do pleito.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, apontou que a circulação de notícias falsas e discursos de ódio nas redes sociais funcionou como estopim para a violência. Para o dirigente partidário, o uso da internet para propagar perseguição contrasta com a defesa histórica de valores democráticos e solidários. No trânsito, os riscos também se concretizaram: um motociclista de 24 anos foi atingido por uma viatura da Polícia Militar Rodoviária durante atos de comemoração pela vitória presidencial.
Governo anuncia centralização e medidas de investigação
Para frear a impunidade, o governo federal apresentou três frentes de resposta e acionou as corregedorias de todas as polícias estaduais. O secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, criticou a descentralização excessiva entre órgãos de segurança, argumentando que a divisão de atribuições pode enfraquecer a resposta do Estado. O Ministério da Justiça avaliou inicialmente a federalização das investigações e a centralização dos processos junto à Procuradoria-Geral da República (PGR).
O secretário-executivo da pasta, Ademar Borges, esclareceu o formato jurídico da atuação federal. Segundo ele, a Polícia Federal já possui competência prevista em lei para investigar crimes eleitorais, infrações contra o Estado Democrático de Direito e casos de violência política de gênero. Na prática, a atuação da PF nesses inquéritos ocorre sem a necessidade de mudar a legislação vigente, garantindo que os crimes não fiquem sem punição e que a resposta institucional seja rigorosa para proteger a integridade dos cidadãos.
A disputa eleitoral de 2026 consolidou o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto em um cenário de alta polarização ideológica. O crescimento de episódios de intolerância armada e agressões físicas nas ruas levou o Executivo federal a reforçar a cooperação entre forças de segurança estaduais e federais para coibir crimes de motivação política e proteger o direito constitucional à livre manifestação.