Governo aciona Polícia Federal após 10 mortes e 45 ataques de violência política ligados a apoiadores de Flávio Bolsonaro
Ministério da Justiça apresenta balanço com 10 mortes em 45 ataques, mobiliza PF e cobra afastamento de policiais envolvidos em abusos nas eleições.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Brasil 247, Brasil de Fato, G1, Partido dos Trabalhadores, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O Ministério da Justiça acionou a Polícia Federal para investigar uma onda de violência política que deixou dez mortos e acumulou 45 ataques em vários estados durante a reta final das eleições de 2026. O balanço foi apresentado pelo ministro Guilherme Boulos em coletiva de imprensa em Brasília, na qual o governo prometeu rigor absoluto contra crimes associados a apoiadores da ala bolsonarista.
Entre as vítimas fatais da escalada de intolerância, três eram indígenas. A estatística detalhada dos 45 registros aponta catorze casos de agressões físicas, sete atropelamentos intencionais, seis episódios de abuso de autoridade e violência policial, cinco ocorrências de disparos de arma de fogo e cinco casos de coação direcionada contra povos originários. O mapeamento oficial indica que os cinco estados com maior concentração de ocorrências são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
Ataques contra lideranças e cidadãos
A violência cobrou um preço alto de militantes e eleitores que celebravam a vitória histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em Cerqueira César, no interior de São Paulo, a irmã de Mateus Siqueira, presidente municipal do Partido dos Trabalhadores, sofreu queimaduras graves, teve o tímpano rompido e perdeu parte da audição após ser atingida por um rojão lançado por bolsonaristas durante uma carreata comemorativa.
Em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, a vereadora Iara Pimentel foi ferida no rosto por pedras, tijolos e garrafas de vidro atirados contra o carro de som em que estava. O veículo participava de um ato de apoio à reeleição presidencial e foi cercado por apoiadores do Partido Liberal. A Polícia Federal já abriu inquérito específico para apurar este atentado, enquanto o Samu prestou os primeiros socorros à parlamentar municipal.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, apontou que a circulação de notícias falsas e de discursos de ódio no meio digital funciona como principal estopim para essas condutas extremistas. Para o dirigente, a política perde espaço quando o debate democrático cede lugar à intolerância física e à recusa da existência do adversário.
Medidas de segurança e punições
Diante do quadro de criminalidade, o governo federal anunciou uma série de medidas institucionais para frear os abusos. A Polícia Federal assumiu a investigação dos crimes de competência federal, enquanto as autoridades estaduais continuam responsáveis pelos crimes comuns. O Ministério da Justiça também encaminhou pedidos formais para o afastamento imediato de policiais envolvidos em atos de violência e abuso de autoridade.
O Ministério da Justiça recebeu denúncias sobre crimes cometidos em ambientes digitais e determinou a atuação da Força Nacional para garantir a integridade física de comunidades indígenas em áreas conflagradas. O ministro Guilherme Boulos reforçou que o Estado não vai tolerar ações criminosas disfarçadas de militância política e garantiu que os responsáveis responderão perante a Justiça pelos danos causados à sociedade.
O crescimento da violência política no Brasil ganhou tração nos últimos anos com a proliferação de discursos radicais nas redes sociais. A atuação coordenada entre ministérios e órgãos de segurança pública busca conter o avanço de milícias informais e grupos de extrema direita que atentam contra a ordem democrática e os direitos humanos fundamentais.