Fuga de Flávio custa R$ 414 mil em jato privado e gera crise com Milei
Senador usou avião argentino para escapar para os EUA após derrota e mira de Moraes; deputados cobram o governo Milei.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Governo Federal, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro utilizou um jato executivo fretado ao custo aproximado de R$ 414 mil para fugir do Brasil rumo aos Estados Unidos após a derrota nas urnas. A viagem ocorreu após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 25 de outubro de 2026. A Polícia Federal expediu ordem de apreensão do passaporte do parlamentar apenas sete minutos depois da divulgação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral, às 21h09. O senador alegou medo de decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para justificar a fuga.
A família do senador saiu de Brasília por via terrestre, cruzou a fronteira e entrou na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. Após passar 24 horas na cidade argentina, o grupo embarcou em uma aeronave da empresa Baires Fly com destino ao Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, fazendo uma escala no Equador. O cálculo do valor milionário do transporte baseia-se em uma tarifa média de US$ 8.500 por hora de voo ao longo de 9,1 horas, segundo dados da empresa Paramount Business Jets. O montante final pode subir ainda mais devido a taxas aeroportuárias e custos de reposicionamento.
Contratos opacos e conexões argentinas
Aliados do senador tentam atribuir a logística da fuga ao governo do presidente americano Donald Trump, sob articulação do senador republicano Marco Rubio. No entanto, não há confirmação oficial sobre quem pagou pelo serviço. A companhia Baires Fly, dona do jato, destaca em seu site a promessa de privacidade total e proteção contra vazamento de dados de passageiros. Formalmente comandada por Marcela Mabel Racana e pelo fundador Luis Grande, a empresa tem como sócio oculto o empresário Sergio Daniel Mastropietro, apontado por investigações da Justiça argentina e pelo jornal La Nación como o principal articulador financeiro da firma.
A mesma companhia aérea já esteve envolvida em escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro na Agência Nacional de Deficiência da Argentina, onde redes de saúde pagavam propinas milionárias ocultadas por meio de faturas falsas de voos fantasmas. Diante do envolvimento do governo estrangeiro na operação, deputados da oposição na Argentina protocolaram um documento exigindo explicações formais do governo de Javier Milei. Os parlamentares cobram que o chefe de gabinete, Diego Santilli, a ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva, e o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, compareçam ao Congresso para esclarecer como o senador brasileiro deixou o país vizinho sem entraves.
Cidadania italiana ameaça planos de asilo
Nos Estados Unidos, o plano de permanência do senador enfrenta barreiras jurídicas ligadas à sua árvore genealógica. O Departamento de Estado americano confirmou a emissão de vistos para a família, mas ressaltou que a autorização de entrada não equivale à concessão de asilo político. Especialistas em imigração ouvidos pela imprensa apontam que a cidadania italiana obtida por Flávio, seus irmãos Carlos e Eduardo em 2023 por direito de descendência pode inviabilizar o refúgio.
Uma decisão recente do Board of Immigration Appeals, instância administrativa de recursos migratórios nos EUA, estabelece uma presunção contrária à concessão de asilo a cidadãos da União Europeia. A legislação exige que pessoas com dupla nacionalidade demonstrem impossibilidade de obter proteção em qualquer outro país de origem antes de buscar abrigo em solo americano. Durante o deslocamento internacional, Flávio utilizou justamente o passaporte italiano para burlar o controle migratório, após a polícia brasileira ordenar o recolhimento de seus documentos de viagem nacionais.
A fuga de Flávio Bolsonaro coroa um histórico de manobras jurídicas e tentativas de blindagem familiar frente aos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Derrotado nas urnas por Luiz Inácio Lula da Silva em outubro de 2026, o clã tenta repetir táticas de exílio voluntário nos Estados Unidos, esbarrando agora em investigações internacionais sobre lavagem de dinheiro e nas rígidas regras de imigração norte-americanas para detentores de passaportes europeus.