Deputado italiano confirma que Flávio Bolsonaro tem passaporte do país e exige investigação
Manifesto de passageiros registra senador com cidadania italiana. Oposição na Europa cobra explicações sobre rapidez na concessão do benefício.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CBN, Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo, ICL Notícias, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro possui cidadania e passaporte da Itália, conforme revelou nesta semana o deputado italiano Angelo Bonelli. O caso veio à tona após a divulgação de um manifesto de voo que registra o parlamentar brasileiro com a nacionalidade europeia durante uma viagem internacional que partiu da Argentina com destino ao Equador.
A revelação provocou forte repercussão política na Europa e no Brasil. Parlamentares de oposição ao governo da premiê italiana Giorgia Meloni protocolaram um pedido oficial de investigação para apurar como a família do ex-presidente Jair Bolsonaro obteve o reconhecimento da cidadania em tempo recorde, superando filas que deixam cidadãos comuns esperando por mais de dez anos.
Documentos obtidos por órgãos de imprensa mostram que o manifesto de passageiros da aeronave, operada pela empresa argentina Baires Fly S.A. Traz o registro de Flávio com a sigla ITA e um número de passaporte. O voo decolou de Puerto Iguazú com destino declarado a Guayaquil. A mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e suas duas filhas também estavam a bordo, mas foram identificadas como brasileiras.
Aceleração de processos na embaixada
O centro da controvérsia na Itália envolve a velocidade com que o processo burocrático foi concluído pela Embaixada da Itália em Brasília. Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro solicitaram a inclusão na lista de espera em 2020. Em 2023, ambos já tinham o reconhecimento oficial da cidadania europeia. Carlos Bolsonaro concluiu o procedimento em 2024.
A oposição italiana aponta que o ritmo contrasta drasticamente com a situação enfrentada por milhares de descendentes de imigrantes na América Latina. Dados da própria rede diplomática indicam que a embaixada em Brasília suspendeu novas convocações para análise de documentos em agosto de 2018. Em novembro de 2022, o posto ainda chamava requerentes que haviam entrado na fila quatro anos antes.
Foi exatamente nesse período de paralisação que Flávio e Eduardo compareceram pessoalmente à representação diplomática em Brasília. O encontro ocorreu em 8 de novembro de 2022, apenas nove dias após a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva. A interpelação apresentada por Bonelli ao governo italiano exige saber se a visita influenciou a tramitação dos pedidos.
"É necessário verificar se os filhos do ex-presidente Bolsonaro foram convocados respeitando a ordem cronológica da lista de espera ou se receberam tratamento preferencial em relação aos demais requerentes", questiona o deputado na interpelação formal enviada ao parlamento do país europeu.
Impacto político e debate sobre leis migratórias
O caso ganha força em meio a intensos debates no parlamento italiano sobre a revisão das regras de concessão de cidadania por descendência para pessoas nascidas fora do território europeu. Parlamentares contrários aos privilégios argumentam que sobrenomes influentes não podem atropelar a fila legal de espera.
No Brasil, especialistas em direito internacional apontam que a posse de dupla cidadania é um direito previsto em lei para quem comprova ascendência, mas o uso de prerrogativas diplomáticas e a rapidez na liberação de documentos para figuras públicas viraram alvo de escrutínio público e cobranças por transparência.
A Polícia Federal brasileira informou que não tem competência legal para cancelar passaportes emitidos por governos estrangeiros. Enquanto isso, aliados do clã Bolsonaro evitam comentar os detalhes do manifesto de voo e a tramitação do processo na diplomacia europeia.
A concessão de cidadania italiana a descendentes de imigrantes movimenta milhares de processos em consulados e embaixadas ao redor do mundo. No Brasil, a demanda histórica esbarra na escassez de servidores públicos e na lentidão burocrática, criando filas que duram mais de uma década. O caso envolvendo a família Bolsonaro coloca holofotes sobre o lobby político e o tratamento diferenciado concedido a autoridades e figuras de destaque em postos diplomáticos estrangeiros.