Flávio Bolsonaro foge para os EUA e publica nota com brasão da República alterado
Senador ignorou ordem de entrega de passaportes e deixou o país. Em nota, tentou se autoproclamar 'presidente eleito' e usou brasão da época do Império.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Consultor Jurídico, Folha de S.Paulo, Nexo Jornal, O GLOBO, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos um dia após ser intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes comum e diplomático. A ordem de entrega dos documentos e a proibição de saída do território nacional partiram do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar ignorou a determinação judicial e publicou uma nota oficial em suas redes sociais para justificar o que chamou de estratégia política.
A comunicação do senador passou por três versões distintas em poucos minutos. Inicialmente, o texto trazia o brasão da República com a grafia "Estados Unidos do Brazil", termo utilizado entre 1889 e 1931. Após críticas, o brasão foi corrigido, mas o senador manteve a autodefinição como "presidente eleito". Em uma terceira alteração, o termo foi substituído por "líder do Brasil". O documento foi divulgado pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro radicado nos Estados Unidos.
A tentativa de deslegitimar o processo eleitoral
No texto, Flávio Bolsonaro associa a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva a um golpe de Estado, sem apresentar qualquer prova. O senador afirma que o país vive um regime de exceção e que a Suprema Corte estaria aparelhada por uma organização criminosa. O principal argumento do senador para questionar o pleito de 2026 diz respeito à prorrogação do horário de votação no segundo turno, ocorrido em 25 de outubro.
O ministro Cristiano Zanin, do STF, autorizou a extensão do horário das 17h para as 19h devido a fortes chuvas e problemas no transporte público. O dado oficial aponta que, após as 17h, foram registrados apenas 34.808 votos em todo o território nacional. A campanha de Flávio, contraditoriamente, também havia solicitado a extensão do horário à Justiça Eleitoral antes da decisão ser tomada. O senador alega que sua saída do país não é uma fuga, mas uma forma de evitar a perseguição judicial que, segundo ele, começou com seu pai, Jair Bolsonaro.
Reações políticas e isolamento do senador
A postura do senador gerou críticas imediatas de aliados e opositores. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que o caminho correto é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. Analistas políticos apontam que Flávio Bolsonaro enfrenta um isolamento crescente, já que a maior parte de seus aliados negocia uma transição pacífica com o governo eleito. O ex-ministro do STF Celso de Mello reforçou que ninguém adquire mandato presidencial por autoproclamação.
A manobra de Flávio é vista por observadores como uma tentativa de manter viva a base extremista, mesmo diante da derrota consolidada. O uso do brasão antigo e a retórica golpista foram classificados por críticos como uma encenação política sem respaldo na realidade institucional brasileira. Enquanto o senador se coloca em um suposto "governo no exílio", a vida política no Brasil segue o rito constitucional, com a transição de poder em curso.
O episódio ocorre em um momento de alta tensão jurídica envolvendo a família Bolsonaro, que enfrenta condenações por tentativas de golpe de Estado. A proibição de saída do país e a entrega de passaportes são medidas cautelares, ou seja, restrições impostas pela Justiça para garantir que o investigado não fuja ou atrapalhe o andamento dos processos criminais.