Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA revolta democratas e expõe Donald Trump às vésperas da eleição
Congressistas americanos criticam acolhida a Flávio Bolsonaro, enquanto investigações e dupla nacionalidade italiana complicam situação jurídica do senador.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Folha de S.Paulo, Governo Federal, O GLOBO). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador derrotado Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos nesta quarta-feira (28), a bordo de um jato particular que decolou da Argentina. A viagem gerou revolta imediata entre congressistas democratas americanos, que intensificaram as críticas contra o secretário de Estado Marco Rubio e a administração de Donald Trump. A comitiva do parlamentar brasileiro pousou em Miami por volta das 9h23 no horário local, equivalente às 10h23 de Brasília, após escalas e forte esquema de despiste policial.
A aeronave utilizada foi um jato executivo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW e operado pela empresa Baires Fly. O avião partiu de Puerto Iguazú durante a madrugada, fez uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, e seguiu direto para o sul da Flórida. No aeroporto, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos mantiveram jornalistas e cinegrafistas afastados da área de circulação para garantir a saída rápida da família do senador.
Críticas implacáveis de parlamentares americanos
Nas redes sociais, parlamentares dos Estados Unidos cobraram explicações e denunciaram o tratamento diferenciado concedido ao político brasileiro. O deputado Morgan McGarvey, representante do Kentucky, escreveu no antigo Twitter que a administração Trump abre portas para criminosos internacionais. Na mesma linha, o congressista Jim McGovern, de Massachusetts, acusou o secretário de Estado Marco Rubio de conspirar para ajudar o brasileiro a escapar da Justiça.
"Fascistas covardes e bandidos autoritários costumavam fugir para a Rússia ou Arábia Saudita para evitar a responsabilização. Esta administração os acolhe na América. Nojento", publicou McGovern. Representantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara também criticaram a postura do governo americano. Segundo a bancada democrata, o Executivo estende o tapete vermelho para aliados ideológicos, enquanto nega asilo humanitário a refugiados de guerras no Haiti e no Sudão.
O senador Andy Kim, de Nova Jersey, comparou a chegada de Flávio ao endurecimento das políticas migratórias de Trump. Kim afirmou que o republicano concede status de proteção especial ao aliado enquanto expulsa imigrantes vulneráveis que construíram suas vidas nos Estados Unidos. Documentos de imigração obtidos pela imprensa mostram que o parlamentar brasileiro recebeu uma autorização especial normalmente reservada a estrangeiros por razões humanitárias.
Cidadania italiana e obstáculos jurídicos
Enquanto enfrenta pressão política nos Estados Unidos, a situação migratória de Flávio Bolsonaro esbarra em regras duras da legislação americana. Advogados especialistas em imigração apontam que o senador possui cidadania italiana desde 2023, obtida por direito de descendência assim como seus irmãos Eduardo e Carlos. O passaporte europeu foi utilizado pelo parlamentar durante o deslocamento internacional, após o Supremo Tribunal Federal determinar a entrega de seus documentos brasileiros.
Em outubro, o Conselho de Recursos em Matéria Migratória dos Estados Unidos estabeleceu uma diretriz que dificulta a concessão de asilo a cidadãos da União Europeia. A regra exige que o requerente demonstre a impossibilidade de obter proteção em qualquer um dos países de sua nacionalidade. Embora o entendimento não represente uma proibição absoluta, cria uma barreira jurídica considerável para o pedido de permanência definitiva em território americano.
Apesar da emissão de vistos confirmada pelo Departamento de Estado americano, a autorização de entrada não garante o direito de asilo político. Autoridades migratórias continuam avaliando os fundamentos apresentados pela defesa do senador. Enquanto isso, o Itamaraty acompanha o caso de perto, buscando evitar um conflito diplomático maior e tratando a fuga do parlamentar estritamente como um problema de competência da Justiça brasileira.
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorre após a derrota nas urnas e o avanço de investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal sobre corrupção e desvios. O uso de cidadania estrangeira e o apoio de aliados internacionais expõem a estratégia histórica do clã de buscar refúgio político no exterior para escapar da responsabilização criminal perante as leis brasileiras.