Flávio Bolsonaro foge do Brasil pela Argentina e embarca em jato privado rumo aos Estados Unidos
Senador derrotado cruzou a fronteira rumo à Misiones, pegou voo em aeronave ligada a Milei e usou passaporte italiano.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Pública, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Governo Federal). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil às 22h50 da última terça-feira (27), ingressando na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. O trajeto clandestino culminou em um voo privado rumo aos Estados Unidos, realizado em uma aeronave vinculada ao esquema político do presidente argentino Javier Milei.
A confirmação oficial veio da Direção Nacional de Migrações da Argentina, após horas de contradições em que o governo de Buenos Aires negara o registro. Flávio viajou acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas do casal. O grupo utilizou documentação válida do Mercosul, que aceita a carteira de identidade como documento de viagem, embora o senador também tenha recorrido ao passaporte italiano para burlar restrições da Polícia Federal brasileira.
A rota de fuga e o jato ligado ao poder argentino
Quarenta minutos após cruzar a fronteira terrestre, às 23h30, a família embarcou em um jato privado modelo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW e operado pela empresa Baires Fly S.A. O plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, onde a aeronave sobrevoou por volta das 5h40 da quarta-feira (28) antes de seguir viagem para o Norte, pousando em território norte-americano às 10h23 no horário de Brasília.
O avião pertence à mesma empresa utilizada pelo presidente Javier Milei após sua eleição em 2023, episódio que custou entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,35 milhãp aos cofres envolvidos e gerou questionamentos na imprensa argentina. A fuga gerou forte crise diplomática e repercussão imediata no congresso do país vizinho, onde parlamentares da oposição protocolaram pedidos de explicação ao governo de Milei.
Crise diplomática e barreiras para um eventual asilo
Deputados argentinos de diferentes blocos exigiram que o chefe de gabinete, Diego Santilli, a ministra da Segurança Nacional, Alejandra Monteoliva, e o chanceler Pablo Quirno prestem esclarecimentos urgentes. O documento assinado pelos legisladores também cobra que a administração de Buenos Aires reconheça formalmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e restabeleça o diálogo com o Brasil.
Nos Estados Unidos, a situação jurídica do clã enfrenta obstáculos imigratórios. Embora o Departamento de Estado americano tenha confirmado a emissão de vistos, especialistas ouvidos apontam que a cidadania italiana obtida por Flávio em 2023 pode inviabilizar um pedido de asilo político, devido a normas recentes do sistema de imigração dos EUA que impõem presunção contrária a cidadãos da União Europeia.
A fuga de Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao cerco judicial imposto pelo Supremo Tribunal Federal, que determinou a entrega de passaportes e incluiu seu nome em sistemas de restrição migratória. A articulação internacional expõe a estratégia da extrema-direita sul-americana de usar governos aliados, como o de Javier Milei, para blindar investigados e escapar da responsabilização perante a Justiça brasileira.