Flávio Bolsonaro se encontra com Eduardo e Ramagem nos EUA após deixar o Brasil
Senador, que teve passaporte retido pela Justiça, articula oposição ao governo Lula a partir do exterior; PF aponta risco de evasão.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Estadão, Metrópoles, Poder360, UOL Notícias, VEJA). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou nesta quarta-feira (28.out) sua presença nos Estados Unidos, onde se reuniu com o irmão, Eduardo Bolsonaro, e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. O encontro ocorre dias após a derrota de Flávio nas eleições presidenciais de 2026 para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula venceu o pleito com 51,79% dos votos válidos, totalizando 64.256.232 sufrágios. Flávio Bolsonaro obteve 48,21%, correspondendo a 59.826.041 votos. O senador deixou o território nacional acompanhado da esposa e das duas filhas adolescentes logo após a divulgação dos resultados.
Articulação política e o manifesto do ex-candidato
Flávio divulgou um manifesto nesta quarta-feira declarando a intenção de liderar a oposição ao governo Lula a partir do exterior. No documento, o senador questionou a legitimidade do resultado das urnas sem apresentar provas. Em uma versão inicial do texto, chegou a se autointitular “verdadeiro presidente eleito”, termo substituído posteriormente por “líder do Brasil”.
Eduardo Bolsonaro publicou uma imagem ao lado do irmão nas redes sociais. “Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil”, escreveu. O deputado citou uma frase atribuída ao escritor Olavo de Carvalho: “Não parar, não precipitar, não retroceder”.
Alexandre Ramagem também registrou o encontro no X, antigo Twitter. Na foto, Flávio segura uma bandeira do Brasil. Ramagem afirmou que o senador poderá atuar politicamente do exterior. “Flávio saiu do Brasil, mas não deixou os brasileiros. Essa luta só terminará quando o Brasil voltar a ser um país livre”, declarou o ex-chefe da inteligência.
A batalha jurídica e a fuga monitorada
A Polícia Federal expediu um pedido de apreensão do passaporte de Flávio apenas sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializar a vitória de Lula, às 21h09 do último domingo (25.out). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu a medida cautelar, que é uma decisão provisória para garantir que o investigado não fuja ou atrapalhe o processo.
A PF justificou o pedido citando o “risco concreto de evasão”. O órgão mencionou o precedente de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador, que já se encontrava nos EUA. Ambos respondem a inquérito por suposto crime de lavagem de dinheiro, que é a prática de esconder a origem ilícita de valores obtidos ilegalmente.
Bastidores indicam que a declaração de Eduardo Bolsonaro, feita antes do segundo turno, sugerindo que o irmão deveria se mudar caso perdesse, serviu como uma isca retórica. A PF utilizou a fala como argumento para reforçar o pedido de apreensão. O movimento, contudo, permitiu que a família Bolsonaro construísse a narrativa de perseguição política, alegando que o senador deixou o país por se sentir ameaçado por decisões do STF.
A relação entre a família Bolsonaro e o STF é marcada por inquéritos sobre fake news e atos antidemocráticos. A apreensão de passaportes tornou-se uma ferramenta comum da Corte para evitar que investigados deixem o país durante o curso de processos criminais.