Equipe jurídica de Flávio Bolsonaro desiste de novas ações no TSE após fuga do senador
Após deixar o país, Flávio Bolsonaro vê sua estratégia jurídica colapsar. Advogados descartam novos recursos contra a vitória de Lula no TSE.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (Agência Brasil, CNN Brasil, Consultor Jurídico, O GLOBO, Valor Econômico). Novos desdobramentos a qualquer momento.
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro abandonou a estratégia de contestar o resultado das eleições presidenciais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador, que deixou o Brasil após ser notificado para entregar seus passaportes à Polícia Federal, não deve apresentar novos pedidos à Justiça Eleitoral. A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção dos documentos de viagem do parlamentar.
Integrantes da campanha confirmaram o recuo em caráter reservado. Um dos advogados afirmou que não faz mais sentido prosseguir com novas ações diante do atual cenário político. O grupo jurídico agora avalia como conduzir as 20 ações de cassação que já tramitam no tribunal. A lei eleitoral impede a desistência de processos que já foram protocolados, o que obriga a defesa a manter o acompanhamento técnico para evitar a perda de prazos processuais.
O colapso da estratégia jurídica
O clima entre os defensores do senador é de surpresa e indignação. O parlamentar, que na segunda-feira (26) acusou o presidente eleito Lula de abuso de poder político e econômico, viu seu plano de questionar a chapa petista perder força. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio alegou que Lula teria injetado quase meio trilhão de reais em dinheiro público para garantir a vitória. O senador classificou a medida como a maior compra de votos da história do país.
Apesar da retórica inflamada, o Partido Liberal (PL) adotou uma postura distinta. Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, publicou nota oficial reconhecendo o resultado proclamado pelo TSE. O dirigente afirmou que o partido respeita a decisão das urnas, embora defenda o esclarecimento de dúvidas sobre a condução do pleito. A nota do PL não apresentou provas de irregularidades, focando apenas em questionamentos sobre gastos públicos realizados na reta final da campanha.
Inquéritos no STF e o futuro do senador
A saída de Flávio Bolsonaro do país não interrompe as investigações em curso no STF. O senador é alvo de três inquéritos distintos na Corte, que apuram condutas que podem levar a pedidos de extradição. A situação jurídica é complexa, pois envolve negociações diplomáticas e o entendimento das autoridades internacionais sobre os crimes imputados. O temor de uma possível prisão, segundo pessoas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, é o principal motor das decisões tomadas pelo filho do ex-mandatário nas últimas horas.
Enquanto o jurídico tenta entender o cenário, o PL busca se reposicionar. O partido, que obteve resultados expressivos no Legislativo e em governos estaduais, tenta manter a unidade interna. A legenda afirma que continuará atuando com independência na defesa de seus valores. Contudo, a fuga de um de seus principais quadros coloca o partido em uma posição delicada perante o Judiciário e o eleitorado, que agora observa o desenrolar das investigações criminais contra o senador.
Flávio Bolsonaro liderou o primeiro turno com vantagem de 2,2 milhões de votos, mas viu a chapa de Lula reverter o cenário no domingo (25). A tensão jurídica escalou após o STF restringir a circulação internacional do senador, que agora enfrenta o isolamento político de seu próprio partido enquanto tenta evitar a prisão em solo estrangeiro.