Deputado italiano questiona cidadania de Flávio Bolsonaro e aponta possível privilégio

Parlamentar Angelo Bonelli pede investigação sobre rapidez no processo de concessão de cidadania aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Deputado italiano questiona cidadania de Flávio Bolsonaro e aponta possível privilégio
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Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CBN, Congresso em Foco, Gazeta do Povo, ICL Notícias, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O deputado italiano Angelo Bonelli solicitou formalmente ao governo da Itália uma investigação sobre o processo de concessão de cidadania aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar questiona se Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro receberam tratamento preferencial ou fura-fila em relação a milhares de brasileiros que aguardam o reconhecimento de sua descendência italiana há anos.

Documentos obtidos revelam que Flávio Bolsonaro utilizou um passaporte italiano em viagens internacionais. Um manifesto de passageiros de uma aeronave operada pela empresa argentina Baires Fly S.A. Registra o senador com a nacionalidade “ITA”. O voo partiu de Puerto Iguazú, na Argentina, com destino ao Equador. O documento não confirma qual passaporte foi apresentado na imigração, mas atesta o registro do senador como cidadão da Itália.

A suspeita de tratamento privilegiado

A interpelação de Bonelli destaca a discrepância temporal entre o processo dos irmãos Bolsonaro e a fila oficial. A Embaixada da Itália em Brasília suspendeu as convocações para reconhecimento de cidadania em agosto de 2018. Naquele momento, mais de 112 mil pedidos aguardavam análise. Em novembro de 2022, a representação diplomática ainda chamava requerentes que haviam se inscrito quatro anos antes.

Flávio e Eduardo Bolsonaro solicitaram a inclusão na lista de espera em 2020. Em 8 de novembro de 2022, apenas nove dias após a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas, ambos compareceram pessoalmente à embaixada. O deputado italiano quer saber se esse encontro teve influência direta na tramitação dos pedidos. A cidadania de Flávio e Eduardo foi concedida em 2023, enquanto a de Carlos Bolsonaro foi finalizada em 2024.

O parlamentar questiona se houve desrespeito à ordem cronológica. Ele exige saber quem autorizou qualquer procedimento fora dos critérios padrão. A investigação busca esclarecer se o poder político dos solicitantes facilitou o acesso ao passaporte europeu. O caso ganha contornos de urgência após mudanças na legislação italiana em 2025, que restringiram o reconhecimento por descendência e prejudicaram cidadãos comuns.

Deputado Angelo Bonelli, autor da interpelação ao governo italiano.
Deputado Angelo Bonelli, autor da interpelação ao governo italiano. (Foto: Reprodução/Parlamento Italiano)

Riscos de fuga e investigações paralelas

Bonelli argumenta que a cidadania pode ser usada como ferramenta para escapar da Justiça brasileira. Ele cita o caso de Carla Zambelli, que possui cidadania italiana e deixou o país após condenação do Supremo Tribunal Federal (STF). A interpelação menciona ainda investigações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz e irregularidades no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Embora o questionamento seja contundente, o deputado não solicitou a revogação imediata da cidadania. Ele pede uma inspeção administrativa rigorosa para verificar a regularidade dos processos. A intenção é garantir que a lei seja aplicada de forma igualitária para todos os descendentes. O governo italiano deve responder sobre os critérios de prioridade adotados pela embaixada em Brasília durante o período citado.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

A obtenção de cidadania europeia por figuras políticas brasileiras sob investigação tem gerado debates sobre a soberania jurídica. O caso dos filhos do ex-presidente ocorre em meio a um endurecimento das regras de imigração na Europa e a um aumento da pressão de órgãos de controle brasileiros sobre o patrimônio e a movimentação internacional da família Bolsonaro.