Empresa ligada a escândalo na Argentina levou Flávio aos EUA
Aeronave alugada pela Baires Fly transportou o senador derrotado para Miami em meio a restrições judiciais e investigação internacional.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, Governo Federal, NeoFeed, Poder360). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O senador Flávio Bolsonaro desembarcou na manhã desta terça-feira em Miami, nos Estados Unidos, a bordo de um jato particular operado pela empresa argentina Baires Fly. A viagem ocorreu logo após a derrota nas eleições presidenciais de 2026, vencidas no primeiro turno por Luiz Inácio Lula da Silva com 64.256.232 votos, equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra os 59.826.041 votos de Flávio, que somaram 48,21%.
A aeronave utilizada no deslocamento é um modelo Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW. O jato partiu de Puerto Iguazú durante a madrugada, realizou uma escala técnica em Guayaquil, no Equador, e seguiu rumo ao sul da Flórida, onde pousou por volta das 9h23 no horário local, correspondente às 10h23 no horário de Brasília.
Acompanhavam o parlamentar sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas adolescentes do casal. O grupo deixou o Brasil temendo eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal emitiu um pedido de apreensão do passaporte do senador apenas sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral declarar o resultado do pleito, às 21h09 do dia 25 de outubro de 2026.
Os donos e as sombras da Baires Fly
Oficialmente, a empresa Baires Fly é comandada pelo empresário e fundador Luis Grande, enquanto a presidência formal consta em nome de Marcela Mabel Racana. Documentos e investigações conduzidas pela Justiça da Argentina, no entanto, apontam o empresário Sergio Daniel Mastropietro como o sócio oculto e principal articulador financeiro da companhia aérea.
A companhia já esteve envolvida em um escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro na Agência Nacional de Deficiência da Argentina, a Andis. Segundo as investigações do jornal argentino La Nación, redes de saúde pagavam propinas milionárias e a empresa ocultava os valores por meio da emissão de faturas falsas referentes a voos que nunca foram realizados.
Antes de transportar a família do senador brasileiro, a empresa acumulou clientes de peso no cenário político e cultural argentino. Entre os contratantes anteriores da companhia figura o presidente da Associação de Futebol Argentino, Claudio Tapia, além de diversos outros nomes importantes da política vizinha e celebridades locais.
A chegada e o labirinto do asilo
Após o pouso em solo americano, a família permaneceu por alguns instantes nas instalações aeroportuárias que abrigam os escritórios da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos. Imprensa internacional relatou que agentes federais mantiveram jornalistas e cinegrafistas afastados da área de circulação durante a saída da comitiva.
A comitiva seguiu inicialmente em direção leste pela rodovia estadual 826, em direção a Sunny Isles Beach. O trajeto não chegou ao litoral e prosseguiu para o norte pela rodovia federal US-1, conhecida como Biscayne Boulevard, no condado de Miami-Dade, antes de avançar para o condado de Broward.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a emissão de vistos para o senador e seus familiares, mas ressaltou que a autorização de entrada não garante a concessão de asilo político. Especialistas em imigração apontam que a cidadania italiana obtida por Flávio em 2023, por direito de descendência, pode representar um obstáculo jurídico relevante para obter proteção permanente no território norte-americano.
A família Bolsonaro tem recorrido historicamente a estratégias de deslocamento internacional para evitar investigações conduzidas pelo Judiciário brasileiro. A obtenção de dupla cidadania europeia por descendência tem servido de instrumento recorrente para facilitar trânsitos migratórios e tentar blindar parentes e aliados políticos contra mandados de prisão e restrições de circulação expedidos pelos tribunais superiores.