Justiça condena motorista de Porsche a 17 anos de prisão por morte de trabalhador
Fernando Sastre de Andrade Filho é sentenciado por homicídio doloso após colisão que vitimou Ornaldo da Silva Viana em São Paulo.
Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, Estadão, G1, SBT News, UOL Notícias). Novos desdobramentos a qualquer momento.
O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão em regime fechado. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri em São Paulo nesta quarta-feira (30). Ele é o responsável pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, em março de 2024.
O julgamento reconheceu o crime de homicídio qualificado na modalidade de dolo eventual. Isso significa que, para a Justiça, o réu assumiu o risco de matar ao dirigir em alta velocidade após ingerir álcool. Além da pena privativa de liberdade, o empresário teve sua habilitação para dirigir cassada.
A mudança de postura no tribunal
O réu alterou sua versão dos fatos durante o julgamento. Em 2024, tanto em depoimentos à polícia quanto em entrevistas, ele negou ter consumido bebidas alcoólicas. Afirmou na época que havia bebido apenas água na noite do acidente. A namorada, Giovanna Pinheiro Silva, corroborou essa versão durante a fase inicial das investigações.
O cenário mudou drasticamente no plenário. Fernando Sastre admitiu ter consumido dois drinques à base de uísque antes de assumir a direção do Porsche. O promotor Rodolfo Morais questionou a mudança, sugerindo que a confissão só ocorreu devido ao peso das provas apresentadas. O réu chorou durante o depoimento e pediu perdão aos familiares de Ornaldo.
O júri, composto por quatro mulheres e três homens, também condenou Sastre por lesão corporal contra Marcus Vinícius Machado Rocha. Marcus era passageiro do veículo e ficou gravemente ferido na colisão. Em seu depoimento, ele confirmou que o empresário estava sob efeito de álcool e revelou ter sofrido pressão externa para alterar seu relato sobre o ocorrido.
Confusão e tensões no plenário
O julgamento foi marcado por episódios de tensão. A ex-namorada do réu, Giovanna Pinheiro Silva, precisou ser conduzida coercitivamente ao fórum após faltar à convocação judicial. A condução coercitiva é o ato de levar uma testemunha à força para depor quando ela se recusa a comparecer voluntariamente.
Durante a sessão, a juíza Melanie Liesenberg ordenou a retirada de Giovanna do plenário. Ela teria feito gestos enquanto outra testemunha prestava depoimento, o que foi interpretado como tentativa de interferência. A juíza ainda aplicou uma multa de dez salários mínimos à jovem por desrespeito à ordem do tribunal.
A defesa de Sastre tentou sustentar argumentos que minimizassem a responsabilidade do empresário, mas os jurados acolheram a tese de perigo comum. A qualificadora de perigo comum é aplicada quando o réu, por sua conduta, coloca a vida de um número indeterminado de pessoas em risco, aumentando assim a severidade da pena final.
O caso tornou-se um símbolo do debate sobre a impunidade de motoristas de luxo em São Paulo. O acidente ocorreu em março de 2024, gerando indignação popular pelo contraste entre a fragilidade do veículo de aplicativo e a potência do carro esportivo. A condenação encerra a fase de instrução, mas abre espaço para recursos da defesa em instâncias superiores.