Estratégia digital do "Exército do Lula" inspira a esquerda na França, Espanha e Argentina

Modelo de mobilização criado pelo deputado André Janones na campanha de 2022 é replicado por partidos progressistas ao redor do mundo.

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Estratégia digital do "Exército do Lula" inspira a esquerda na França, Espanha e Argentina
🚨 PLANTÃO GAZETA: MATÉRIA EM ATUALIZAÇÃO

Informações de última hora confirmadas simultaneamente por múltiplos veículos de imprensa (CNN Brasil, CartaCapital, Diário do Centro do Mundo, Folha de S.Paulo, G1). Novos desdobramentos a qualquer momento.

O modelo de mobilização digital conhecido como "Exército do Lula", criado durante a campanha presidencial brasileira de 2022, ultrapassou as fronteiras nacionais e passou a servir de manual para grupos de esquerda na Europa e na América Latina. A estratégia de guerrilha virtual, idealizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), inspirou ativistas e partidos políticos na França, na Espanha e na Argentina a estruturarem redes de apoio baseadas no envio rápido de mensagens e na distribuição coordenada de conteúdo pelo WhatsApp.

Na França, a repercussão do método brasileiro levou simpatizantes do partido A França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, a criarem a iniciativa não oficial chamada "Les Soldats Insoumis", ou "Soldados Insubmissos". O grupo foi desenhado para atuar nas eleições presidenciais francesas marcadas para 18 de abril de 2027. O interesse pelo modelo brasileiro contagiou a própria cúpula da legenda europeia, que decidiu lançar o canal oficial "L’équipe de Mélenchon officielle" para centralizar a militância digital no país.

A internacionalização do método digital

Durante o segundo turno da disputa presidencial no Brasil, o grupo no WhatsApp ger⊷ado por Janones acumulou mais de 10 milhões de membros e tornou-se peça central na virada eleitoral que levou Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto. A engrenagem baseia-se no repasse instantâneo de diretrizes e conteúdos jornalísticos ou panfletários, exigindo agilidade dos participantes para pautar o debate público nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.

O sucesso da empreitada brasileira chamou a atenção de movimentos políticos em outros dois países estratégicos. Na Argentina, ativistas criaram o grupo "Ejército del Peronismo", voltado a defender a ala jovem e mais à esquerda do peronismo, que hoje atua como principal força de oposição ao governo do ultraliberal Javier Milei. Já na Espanha, apoiadores do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Español (PSOE), estruturaram o canal "La fuerza de la gente" para a pré-campanha eleitoral no país ibérico.

O deputado francês Antoine Leaument gravou um vídeo institucional para convocar militantes a aderirem ao canal oficial do partido de Mélenchon. Na gravação, o parlamentar europeu faz referência explícita ao trabalho realizado no Brasil pelos aliados do governo petista. “Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”, declarou Leaument aos simpatizantes.

Grupos de mensagens instantâneas tornaram-se o principal canal de articulação da militância de esquerda em vários países.
Grupos de mensagens instantâneas tornaram-se o principal canal de articulação da militância de esquerda em vários países. (Foto: Reprodução)

Desafios e adaptações da militância virtual

A replicação da estratégia brasileira no exterior, contudo, exige adaptações locais rigorosas. A historiadora Capanema avalia que o mundo inteiro observa a experiência brasileira de mobilização de rua e de redes, mas ressalta que as necessidades políticas de cada nação são distintas. Segundo a especialista, a esquerda francesa já possui uma presença significativa nas plataformas digitais, ao contrário do cenário enfrentado pelos progressistas no Brasil durante 2022. Na visão dela, o principal obstáculo na França reside na disputa de espaço com os meios tradicionais de comunicação.

Os grupos estrangeiros inspirados no modelo de Janones adotam táticas operacionais semelhantes às testadas no Brasil. Os militantes recebem o que chamam de "missões", que consistem em convidar novos membros para os canais de transmissão e coordenar o bloqueio de perfis de adversários políticos para tentar reduzir o alcance de conteúdos contrários. A velocidade exigida pelas plataformas digitais, no entanto, impõe uma necessidade constante de renovação tática para evitar a rápida obsolescência das ferramentas de comunicação política.

📌 CONTEXTO E ANTECEDENTES

Criado por André Janones no segundo turno da eleição presidencial de 2022, o "Exército do Lula" transformou a dinâmica da comunicação política ao utilizar grupos de WhatsApp para conectar diretamente lideranças e eleitores. A tática de guerrilha digital ajudou a contrapor a forte ofensiva de fake news da campanha adversária e consolidou o papel do parlamentar mineiro como articulador de massas nas redes sociais.